Do avesso, um verso se ajeita ...




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sensações ..

Eu me perdi, perdi você .. Perdi a voz , o seu querer.
Agora sou somente um. Longe de nós um ser comum.
Agora sou um vento só. A escuridão. Eu virei pó, fotografia, sou lembrança do passado.
Agora sou a prova viva de que nada nessa vida é pra sempre até que prove o contrário!

Estar assim, sentir assim: turbilhão de sensações dentro de mim.
Eu amanheço, eu estremeço, eu enlouqueço, eu te cavalgo embaixo do cair da chuva eu reconheço ..

Estar assim, sentir assim: turbilhão de sensações dentro de mim.
Eu me aqueço, eu endureço, eu me derreto, eu evaporo, eu caio em forma de chuva eu reconheço.

Eu me transformo ...

[Paula Fernandes]

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A hora é essa!

Saia desse quarto. Páre de chorar. Limpe as mágoas e as tristezas .. agora!

Diga sim ao convite! Se você quer, vá! Se você é, seja!

Abra sua mão, aceite a quem te convida para dançar, tome um banho demorado, não pense! Feche os olhos, deixe a água cair no seu pescoço, levante os braços e cante alto. Exugue-se, mas deixe a água do seu cabelo escorrer pelas suas costas, e o mais refrescar seus pensamentos, isso é bom!

Separe a roupa mais confortável, que seja velha, o importante é que é sua e que você se sente bem dentro dela. Use-a como se estivesse usando uma pele. Passe perfume, aquele que todo mundo gosta, mas que você ama. O que tem seu cheiro dentro. Passe nas mãos e as cheire. Veja se seu cheiro fica depois que você sai, é uma forma de eternizar a sua presença, ainda que por instantes .. Deixe seus cabelos soltos e suas [pre]ocupações presas. Ligue para avisar que está pronta! E vá .. saia sorrindo.

Saia já sabendo que vai ser bom! Porque se você o fizer, vai ser.

Despeça-se de sua mãe e lhe peça a bênção. Ela vai ficar feliz pela companhia que você sempre busca ter e a encontra atravéz de sua mão beijada com um "Deus te abençõe".

Encontre as companhias que te gostam perto, abrace-as, agradeça por elas estarem bem e te fazerem bem, também.

Andem, de mãos dadas ou não, mas andem juntas. Conversem sorrindo. Elogie a noite, e como "estamos" belas nela. Agradeça outra vez, desta vez em pensamento.

Ouça o som, conheça seu espaço, respeite os dos outros e dance!

Dance como quando você dança quando está sozinho no quarto, ou quando toma banho e quase escorrega. Dance de olhos abertos, de olhos fechados, de olhos juntos, de olhos .. mas dance!

Cante! Cante sem saber cantar, mas cante. Ouça sua voz junto com o som das outras vozes e a reconheça, e goste de sua voz ainda que desafinada. Não fique rouca. Mas se ficar, tudo bem. Só não fique muda.

Se for na grama, tire as sandálias e deixe os passos sentir as raízes que tem. Levante os braços e mostre as suas asas a altura de ir além.

E vá! Deixe-se ir ..

Beba .. Não beba até cair, beba para refrescar. Que seja água, mas que seja! Beba para agradar o calor.

E se chover, molhe-se nela. Dance com ela, olhe para ela e deixe pingar na sua pupila, mesmo que doa, tudo dói. Mas tudo dói menos do que não sentir.

Brinque .. ria .. seja exagerado no sorriso, mas que seja sorriso!

Agradeça, agora só sorrindo.

Abrace. Abrace como se você não mais pudesse abraçar. Abrace como quem não quer perder, nem se perder. E beije! Beije .. pode beijar. Desde que não seja qualquer beijo, mas que seja o beijo da vontade. O beijo que faz o abraço prolongado se perder nos olhos fechados na noite que a chuva cai molhando seus cabelos soltos. Beije como se fosse o último beijo da sua vida.

Toque nas mãos da companhia que te faz bem. Toque dedo por dedo, encontrando os seus, sem se prenderem e se perderem. Dance juntinho. Veja se o coração conhece quando o outro bate junto.

Deixe o som parar. Mas não páre!

Deixe a luz apagar, mas não apague o hoje que você está.

Volte para casa. Volte bem.

Agradeça por ter voltado, também por ter ido. Ter vivido. Ter se permitido.

Saiba que a companhia que lhe é de importância também voltou e está junto. E que não há outra pessoa que lhe trará alegrias assim que não seja essa companhia que você traz. Olhe para ela. Chamam-na espelho. Mas o que há nele é muito mais que um simples reflexo. É a sua companhia.

Sorria para ela. Esteja bem com ela. Cuide dela. Valorize-a ..

Ninguém dá ao outro aquilo que ele não tem para si.

Por isso tenha a sua companhia e não deixe ninguém sozinho quando estiver junto com você.

Viva.

A hora é essa! E 'essa' merece ser pra sempre ..

terça-feira, 26 de julho de 2011

Não dá!

Por que é tão difícil ser mais fácil?

Seriam as perguntas que não sabem ser pronunciadas como a resposta gostaria, ou sou eu que não sei falar oue deveria?

Existe agora, em mim, a moça tecelã de Marina Colassanti, no entanto diferente na coragem de "destecer" as tristezas e mágoas que ela mesma teceu. Quero puxar a linha e desfazer, mas sem deixar marcas no pano, seria possível?


Esta menina, ainda menina que não cresce nunca, mais uma vez viu que o seu lugar não é aqui. Cresceu, apesar de menina que não cresce, com o anseio insaciável de ir morar no infinito do azul que encobre o céu que a encobre. Mas cometeu a triste [triste?] traquinagem de segurar na mão do menino que tem raiz cravada. Ela achava que era possível, junto com ele, usar suas asas para voarem juntos, mas a raiz desse menino estava e sempre estará presa na sua comodidade e, [seria medo?] no não interesse de conhecer junto com a menina, o seu azul .. aparentemente tão triste por achar-se distante.

Não queria que ele soltasse sua mão. Não era assim. Não tinha de ser .. mas foi!

A menina não conseguiu arrancar do chão quem com ela seria a companhia certa para ir lá em cima.

Que menino bobo. Que menina sem sorte!

Que planos furados ...

Eram dois olhos meus, nele, virando mar, pedindo para que ela trocasse asas por raízes também. Era como se, para ele, o azul infinito do céu que a menina quer ter, antes com ele, não fosse tão importante. Não precisasse dela.

Estou com meus pés cansados .. Estou com marcas n'asa .. Estou desaprendendo a andar de mãos dadas .. Estou ..

Por que, menino? Por que você cresceu assim, mais do que eu e menor do que o seu tamanho de voar?

"Por que a gente nunca sabe de quem vai gostar" e quando gosta não se gosta de ter que gostar assim.

Não tem piada, não tem mais!

Não há música no fone que não a faça chorar!

Não existe outro rumo se não o azul, da menina que não cresce e que quer ousar das asas que tem, que nasceram com ela, sem culpa de ser rara.

Não me peça isso.

Não sopre o vento para a direção contrária.
A menina pode ir junto ..

Pois quem tem asas assim, como as dela, não se prende em solo incolor!

Não dá!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Poeminha



Tem que ser baixinho, de mansinho e com cuidado.

Tem que ter carinho, bem juntinho, lado a lado.

Tem que deitar no colo, pedir consolo, tocar as mãos.

Tem que ser inteiro, de janeiro a janeiro, mais de uma estação.

Tem que pedir calado, ganhar roubado, soprar no ouvido.

Tem que ser singular, ser dos dois um só ar, sem se ter dividido.

Tem que ter cafuné, o segredo qual é? Você sabe fazer.

Tem que estar no sorriso, no meu brilho escondido, que não cansa acender.

Tem que ser poesia, de noite e de dia, e de dia um azul.

Tem que ter pele nossa, com som ou sem bossa, corpo bailando nú.

Tem que rimar sem compasso, sem ter embaraço, sem se conformar.
Tem que ter melodia, errando a grafia, mas plural conjugar.

Tem que ter segredinho, voz de passarinho, som de cata-vento.
Tem que estar na lembrança, esta eterna aliança, este nosso momento.

domingo, 3 de julho de 2011

Só estou triste!

Não! Não me pergunte por que é que eu estou triste, pois você não irá entender .. Nem eu entendo!
Não faço questão de ser entendida também. Estou triste por estar. Por não ser alegre sempre, por ter o direito de estar.
Sim um direito!

Eu tenho o direito de estar triste e estou. E isto está me alegrando agora.

Claro que posso ser alegre estando triste. Não posso é ser triste estando alegre.
Compreende? Então!

Amanheci sem o sorriso de quase todo dia, sem algo que sempre completa o meu café [e não era nada de comer], sem uma pulguinha que me deixa bem. Mas não estou mal, entenda! Só estou triste.

Por um instante eu até gosto dos dias de quando estou triste. Estando triste eu me preocupo bem mais comigo, muito mais do que quando estou alegre. Busco traçar metas diferentes, mais sérias. Não digo que esqueço dos sonhos, não é isso. Mas é que, desta vez, eu sonho com o pé no chão, dá tempo para as asas descansarem de voos, muitas vezes, fracassados.

Estando triste eu não alimento tantas expectativas em algo ou alguém, por isso sofro menos, decepciono-me pouco, quando não me decepciono, já que não esperei nada.

Triste eu falo menos e ouço mais. Mesmo não gostando muito do que ouço. Não gosto que me digam que não posso ficar triste. Quem disse que não posso? Não só posso, como devo!

Triste eu lavo meus olhos. E, chega um tempo em que tanta lágrima dentro da gente sufoca, não é? Por isso as deixo derramarem em mim, elas não mancham minha face, não mesmo. Elas lavam, elas limpam, elas levam .. levam até a tristeza que me deixa triste.

Estou triste hoje. Estou sim. Estou cuidando bem de mim.

Estou me preparando para receber o dia em que eu estiver alegre.

Daí sim .. você pode perguntar o porquê de eu estar tão alegre.

Ora, pois se estou alegre, é porque não estou triste!

sábado, 18 de junho de 2011

Devaneios, parte1




Eu vi, hoje, um homem de pés descalços, sem rumo, sem calçado, esquecido de viver.

Vi, eu, um homem hoje, sem viver de esquecido, pés de calçado descalçados, e sem rumo.

Um homem, eu vi, sem rumo, descalço, esquecido, de pés, hoje, sem calçado, sem viver.

Sem rumo, um homem, sem calçado, esquecido de viver, hoje, eu vi de pés descalços.

Hoje, eu vi um homem, esquecido sem rumo, sem calçados, de pés descalços de viver.

Um homem sem calçado, vi hoje, eu, sem rumo, de pés descalços, esquecido de viver.

Vi eu, hoje, sem rumo, de pés descalços, um homem esquecido de viver.

Vi, eu sem rumo, de pés descalços, hoje um homem esquecido de viver.



Vi, hoje, uma flor, eu vi ... uma .. vi .. eu .. flor!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dia de aniversário . .

Queria que esta postagem também fosse diferente, mas, assim como o dia de hoje, não será tanto ..

Pois é, meus caros passarinhos que por aqui voam, hoje é meu aniversário. Dizem-no "meu dia", mas não tenho tanta sorte de tê-lo só para mim. Antes fosse ele meu, com certeza seria muito diferente.

A começar pelo sol que seria azul, e as plantas não estariam pregadas no solo, deixando cair folhas, não mesmo! Estariam elas aqui, pertinho, saudando-me com danças e balanços que só quem é árvore entende. Com borboletas rodopiando sobre mim e sobre meus cabelos, bricando de roda com as fadinhas do meu sonho.

Meus amigos não viriam e voltariam, eles permaneceriam aqui, comigo, nesse dia, nesse meu.

Os rádios estariam tocando, em sintonia, a mesma música, aquela que me embala, que me emociona, que me faz fechar os olhos e cantar fora do tom.

A TV, provavelmente, estaria desligada, e do céu cairíam confetes e tintas do arco-íris que acabara de derreter em minha casquinha de sorvete.

Mainha continuaria comigo no colo e painho fazendo cosquinhas na barriguinha de painho.

Meus irmãos festejariam como se o meu dia fosse deles, o que, na verdade, é. Pois eles são, de mim, uma parte inteira.

Se meu fosse, de verdade, esse dia, Amor me levaria para a nuvem mais alta e de lá ia me ensinar a tocar estrelas [de dia]. Sim, há estrelas de dia, mas só existem no dia que é meu.

Queria muito dizer que hoje é meu dia .. mas tive de acordar hà 24 anos para este mundo, este que a gente acorda no dia do nosso aniversário e recebe abraços mecanizados e tímidos, parabéns com sorrisos poucos e presentes que não deviam falar mais do que os sentimentos.

Que um dia, nesta minha pouca idade que cada ano se prolonga, eu possa dizer que tive um dia só meu, com tudo o que me pertence, com tudo o que me completa, com tudo o que é necessário para ser meu, só meu! E eu sopraria, não a velinha, mas a minha essência para todo àquele que, assim como eu, sonha com um dia todo seu.