Do avesso, um verso se ajeita ...




quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz ano, clichê!

Há uma semana eu estou na ansiedade de escrever algo, e que insistência em dar trabalho dessa vez está o que eu sinto, hein? Não quero retrospectiva, quero perspectiva. Não que lembrar das coisas que me aconteceram nesse ano que está sendo nunca mais vão me faz mal (ao menos não todas), mas é que dessa vez olhar para trás pode me fazer buscar sentimentos que eu já me acostumei a viver sem. E não, eu não estou falando de amor. Talvez eu esteja falando de realidade ...

A ideia de que 2012 possa ser o último ano da nossa existência, poderia de alguma forma servir favoravelmente para a vida desse povo "dorminhoco" em relação à sentimentos, não é? O medo da perda encoraja-nos a fazer algo que jamais faríamos se não fosse a pressão de que não teríamos outra oportunidade para fazê-lo [ou não]. Se não pra sempre, mas 2o12 vai começar e terminar como todo e qualquer outro ano que começou e terminou para mim, e muitos deles com as minhas velhas promessas e esperanças de que algo [que eu nunca soube de verdade o que era] acontecesse.

Sorrisos fartos eu tive sim, e ah, como os quero sempre no novo ano que vem mesmo depois deste. Acho que quero mesmo as mesmas coisas que vez ou outra tenho, ams quero dessa vez mais infinitamente eternos [é, redundante mesmo!]

Quero meus amigos sendo para mim os melhores idiotas que são, e que eu seja para eles também, assim sem vergonha de ser o que é, sem medo de se entregar por inteiro, sem cobrança e sem sobra. Assim eu quero os meus amigos, e assim eu serei para eles, como sempre sou. Quero Nando Reis compondo músicas minhas, quero Roberta Campos renascendo Renato Russo em sua voz meiga e doce. Quero Jeneci fazendo meu coração brincar em dias de sol e de chuva, e em casamento aos domingos e em todos os dias da semana feita "pra sonhar". Quero meu violão afinado [porque eu sei que vou aprender a afiná-lo, SIM!], e meus dedos doloridos e felizes por dele tirar acordes que [en]cantam minh'alma.


Quero mainha me acordando as seis da manhã, mas que pra ela já é meio-dia e passarinho .. ah mãezinha! Passarinho canta a hora que ele quiser! Quero painho fazendo planos comigo pra comprarmos um carro novo, sem perder aquele jeito de me chamar de "pain" e me fazer menina mesmo quando eu prefiro uma bola ao invés de boneca. E os meninos me jogando pra cima, dando murro nas minhas costas e fazendo cosquinhas em mim até eu "me mijar" ¬¬'. Quero mesmo brigar pelo controle remoto e pelo video-game. Quero sim xingá-los e preferir que eles não morassem comigo, no fundo eu sei que isso tudo é balela . Quero chorar na formatura deles, no casamento deles, no nascer dos filhos. Quero família!

Quero ler textos e morrer de inveja de quem os escreveu, porque queria tanto que eles tivessem saído de mim, mesmo sabendo que de alguma forma os textos saem de todos os que a ele se entregam, não importa quem os escreveu. Não quero mesóclises, nem ênclises, quero próclises, erros de grafia, acentos tronchos, mas quero textos intensos. Quero livros pra cheirar. Quero livros pra morar. Quero livros pra viver!

Quero dias na manicure, no cabeleireiro, nas lojas mais frescas que há, claro que sem grana, né? Só pra tirar onda! Mas quero grana, ora! Quero muito mais dias de mormaço, de pijama velho e furado, mas cheiroso. Dia de ficar embrulhada no lençol vendo desde "Benjamim Button" à "Se beber não case". Quero cinema. Cinema e pipoca. Cinema e companhia. Cinema.

Quero trabalho. Quero dias turbulentos que me façam implorar por férias, e quero férias, e logo! Quero crianças brincando de ciranda, e amigos adultos também, minhas crianças preferidas!

Quero computador nas noites mais solitárias que virão. Elas são inevitáveis, mas não obrigatórias!

Quero viajar!

Quero nascer e pôr de sol. Quero bicicleta me levando no meio da chuva. Quero um momento sem pensar em nada além da bola gigante de chiclete que eu consegui fazer! Quero piadas sem graça daquelas que a gente dói a barriga de tanto sorrir.

E quero amar ... De todos os clichês acima, que são mesmo clichês, mas são os meus, o amor é o meu mais necessário. Para que todos os dias eu possa enfrentar os problemas, eu preciso de amor. Para que todos os dias eu possa compartilhar as alegrias e até tristezas, eu quero amor. Para que todos os dias eu sinta prazer em escrever poesias, surrealistas, utópicas, mas poesias, minhas, eu quero amor. E quero amor embaixo ou em cima dos meus lençóis também. Quero amor com cheiros no pescoço, mordidas no queixo, beijos nas mãos e afago nos cabelos. Quero amor com todos aqueles desejos que a gente reprime quando pensa que é proibido pensar. Quero amor recebendo mensagens bobas no celular e no e-mail, e quem sabe nos outdoor'es[?]. Quero amor por merecer. Quero amor por não precisar, mas por que é preciso! E quero amor sendo amada! E que amando eu possa continuar cada ano vivendo o novo todo dia.
Como disse, quero clichês!

Ou há outra forma que me deixe mais feliz do que isso?! Se houver, eu mudo a trilha sonora .. e, sabe de uma coisa? Eu nem pretendo trocar a que estou ouvindo agora!

Feliz clichês que importam para cada um que voar por aqui.

Obrigada por vocês continuarem enchendo meu sorriso, inspirando meu coração e revivendo poesias em minha alma.

Um 2012 poeticamente encatador para vocês.
:)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Abismo da tentação

Desperte. Jogue-se. Entregue-se. Permita-se ser um ser seduzido, reduzido a mais um simplório objeto de desejo de alguém. Vire-se do avesso. Recomponha-se. Mergulhe de cabeça naquele lago dos seus profundos desejos, suprimidos pelo medo de ser alguém que você sabe que é, e que ninguém mais tem o direito, e se quer o prazer, de ser. Seja um ser que pensa alto, que grita para aqueles que quiserem ouvir (e que estiverem sem fones de ouvido). E por acaso, já que vem ao caso, ouça música no volume máximo, numa contínua explosão de sabores e notas musicais. Status: "com fone de ouvido, vivendo sem ouvir os problemas que o mundo tem um belo prazer em me dar". Deixe-se cair na tentação que você vem se equilibrando para não cair. E caia com gosto, numa suculenta queda permantente, deliciando-se com cada metro do abismo que passa. Respire o ar e sinta seu corpo agradecer por ter deixado os medos e receios para trás. Respeite-se. Seja o que o medo diz para você não ser. Caia e ria de si mesmo, e depois ria dos outros caindo ainda mais feio do que você. Sim, somos educados para respeitar os outros, mas rir é o melhor remédio e não vai machucar mais do que a própria queda. Faça uma tatuagem. Coma quilos e mais quilos de chocolate. Faça uma lista de coisas pra fazer antes de se formar. Tire um tempo para lembrar do passado, e se quiser, perca-se lá, afinal ele é seu. Brinque se ser criança, sorria para todos. Ame. Não só de coração, mas se entregue de corpo inteiro, atire-se nos braços daquela pessoa. Beije. Contemple. Admire. Fixe os olhos castanhos, e aí, pare. Pare e procure as cores. Sim. Elas se foram. E agora você caiu na melhor tentação de todas: a de um mundo em preto e branco, onde a cor é sinônimo de paixão, delírios, amor sem limites, inscrito nas estrelas, nas constelações, nos livros. E aí, você se libera para ser um ser colorido junto a um outro ser, de mãos dadas, na eterna queda. Sim, deixe-se cair em tentações, mas se tiver a oportunidade, atire-se em direção a elas, sem medo.

Breno Bevilaqua

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O dia em que o Mar me viu .

Estava tudo tão inquieto dentro de mim.
Ansiedade sempre foi o meu forte, e quão forte é. Só em pensar que eu chegaria perto Dele, minhas mãos suavam, meus pés balançavam, meu corpo queria dançar e a alma sorria exageradamente em meus olhos.

Um dia eu o vi. Um dia em uma tela de televisão. Tão pequeno ali dentro.
Tão cheio de vontade de mim, e eu tão cheia de vontade Dele.

Mas nesse dia eu saberia que não era através de tela alguma que eu o viria, era aqui dentro dos meus olhos que Ele caberia a partir daquele dia.
Eu já o imaginava tão meu, que a ansiedade aumentou quando me veio a sensação de que não era mais eu quem o encontraria, mas Ele, pela primeira vez, iria ver-me. Sim, eu o conhecia, mas Ele, a mim, não ...

E veio o sol avisar aos meus olhos que se preparasse. Que Ele estaria me esperando. Que Ele queria meu o abraço.
E eu o levei.

E seu cheiro já inalava. Seu cheiro já vinha antecipando sua espera por mim.
E eu fui!

Antes de colocar os meus pés no chão, eu os sentia dentro dEle.
Que recepção.

Eram ondas e mais ondas, uma inquietação de águas, assim como estavam inquietos os meus desejos, os meus tantos sonhos de conhecê-lo, pois eram muitos, pois eram sonhos de todos os dias.
E eu o vi dentro de mim!

E eu o vi de perto. Tão azul *-----*
EU VI O MAR.

Eu não o toquei ( eu não pude, e isso me fez chorar muito mais), mas eu o vi.
Eu não podia piscar os olhos, não podia perder nenhum momento de euforia infinita em águas e sons.

Quando de repente, sem querer piscar eu pisquei ..
E O MAR ME VIU!!

Eu o senti quando me tocou com vento em gotas d'água, com vento em gotas de felicidade por eu estar perto dEle. Eu sei que sim!
E eu abri meus braços, e Ele coube! Ah, braços (lembra?)

Eu abracei o infinito que Ele é .. sobrou tanto espaço, pois quanto mais eu abria meus braços, mais Ele caberia e aumentava o meu tamanho, no abraço, ah braços!!
Mais eu queria.

Mais Ele me levava.
E eu vivi.

E viva estou.
Deixei meu abraço para buscá-lo logo mais.

Deixei meus sonhos de tocá-lo e poder outra vez respirar isso.
Hoje o infinito me conhece.

Hoje, e todos os hojes que serão no futuro, o infinito que eu sou, ainda que pequena eu pareça, vai me ser infinita no meu imenso existir. Vai me mostrar que o Mar no meu abraço me trouxe o que eu sempre tinha e, ainda assim, eu procurava ...






*Fotos: Nayanna Reis

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Não se apaixone por mim!

E isso é sério!
Sabe aquela velha história de que "se conselho fosse bom, não se dava?", pois bem, eu discordo e afirmo que aceite o meu, é para o seu bem, meu bem!
Se existe uma pessoa absurdamente sem vocação alguma para relacionamentos, aqui lê-se. Prazer, igualmente.

Não sou romântica, não troco perfil de orkut para "namorando", não faço questão de mostrar para o mundo que amo, não ligo toda hora, não pergunto onde você está de meia em meia hora, não dependo de você para ir à qualquer lugar. Não vou arrumadinha para encontro de amigos importantes, não dou presente em dias especiais [para mim, todos os dias o são], não faço o que não quero para agradar.

Eu gosto de outras coisas que, com os relacionamentos que já tive, percebi que é tão ausente nos namoros. Portanto, evite apaixonar-se, pois eu não sei levar um namoro adiante, considerando o que foi citado no parágrafo acima que não vale a pena ser reescrito.

Eu sou passarinho [e foi isso que eu ouvi do meu último "aparente namorado"]. E passarinho como eu, voa muito. Inclusive nos pensamentos.

Ah, outro motivo para que você não queira namorar comigo é que eu vou te matar de vergonha! É, vou sim.

E se você não gosta que eu "suba nas suas costas" em pleno shopping, que eu me lambuze de sorvete e peça para você limpar me beijando e contando piada ao mesmo tempo. Se você não gosta que eu conte todo a história do último livro que eu li ou do último filme que eu assisti e te "obrigue" a assistí-lo comigo mesmo depois de eu tê-lo feito saber o final [tagarelando a história todinha], ou te ligue só pra te contar algo engraçado que eu lembrei, pois bem! Não se apaixone por mim.

Se você não gosta que eu caminhe sempre segurando na sua mão e balançando-a no mesmo ritmo da música que toca no nosso fone de ouvido, no meio da rua, cantando mais alto que o som, desafinadamente feliz. Se você não gosta que eu te acorde com um pulo em cima de suas costas, com os cabelos bagunçados, embolando-me toda no seu lençol e quase lhe sufocando junto. Se você não gosta de fazer bola de chiclete e estourá-la para grudar na "cara lisa". Se você não vai ao circo. Se você não fecha o guarda-chuva quando chove, ou não aponta o dedo para as estrelas com medo de nascerem verrugas, então, meu bem, melhor você nem me conhecer!

Se você não pinta sua cara, não gosta de mulher que veste shortão, não anda de bicicleta na lama, não brinca no parquinho da praça, não "pinta os lábios para escrever a sua boca na minha", não deita na grama em praça pública [quando pode e quando não pode!], não diz poesia no silêncio .. lamento, eu não sirvo pra você!

E ainda se você não tira meleca e faz bolinha, não gosta de beijo no queixo, não prefere abraço à amasso, não admira o sorriso fácil de um menino todo sujo. Se você não sobe em pé de árvore, não tira manga do pé e lambuza a mão, não coça minhas costas .. É melhor eu nem continuar, não é?

É muito difícil para você, eu sei.

Por isso eu o aconselho, antes de você insistir.

Eu leio sim os sms no meu celular, mas não os respondo. É que, como eu disse, eu prefiro bilhetes entregados pelo garçon, ou uma frase boba, que me traga sorriso, escrita em um guardanapo, ao invés de coisas caras que eu nem sei usar, ou buquês. Não que eu não goste de flores, mas eu as prefiro vivas, sabe? A não ser que você queira me dar um jardim.

Então, entenda.

Você entende?

Até porque quem não entende um olhar, tampouco entenderá uma longa explicação.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Quando o Futuro encontra o Passado ..

Certo dia que virá, andava por aí e aqui, o Futuro, disperso como sempre, que resolveu descansar as buscas e sentar-se em uma mesa de bar não muito movimentado [praticamente sem ninguém, a verdade é essa!]. Pediu uma água, já que depois de tanto wisky sem controle, seu estômago virou bagaço e despercebido como sempre, surpreendeu-se ao vir na mesa ao lado o seu Passado que há muito não mandava notícias do que ficou, por vezes, passado e quase esquecido. Atrevido como antes [não tão mais, mas ainda o era], o Futuro resolveu sentar-se ao lado do Passado para conversar, como sempre sem pedir licença, com sua mania de ser surpresa. Esqueceu-se por aquele instante que o Passado não podia conhecê-lo de imediato, pois há muito não se pensava mais em um futuro tão próximo. Ainda mais com essa nova cor de cabelo.

Como continua jovem o Passado ... Como está crescido esse Futuro!

Mesmo jovem, com roupas velhas o Passado era visto aos olhos do Futuro. Este por sua vez era visto com manias bem bizarras pelo Passado, manias essas que ele nunca se atreveria em si. Se bem que manias não se atrevem, elas nascem junto da gente, né? E em sua maioria são sim, estranhas, algumas bem passadas, outras desacreditavelmente futuras.

O Futuro como sempre crítico, refutando as atitudes suas do Passado que também cobrava atitudes pensadas e não agidas pelo seu Futuro iam discutindo sobre o que eles mais se ocupavam em pensar: a vida. Eram cobranças e mais cobranças, tantas explicações, contradições. Começou a ficar bem chato e a vida estava quase sem interesse em ser pensada.

Ora, não era mais momento para reclamar o que no passado não se fez futuro e o que o Futuro não o aceitou do Passado.

Onde estariam os amores do Futuro se o Passado dissesse sim?

E se o "não" naquele momento fosse dito, o que seria "sim" para o Futuro do Passado?

Onde ficou o sorriso prometido que não acompanhou o Futuro?

Quem leu as cartas não escritas do Passado?

Quem respondeu as perguntas sufocadas?

Por quanto tempo o Passado permitiu ao Futuro sofrer?

Até quando o Futuro irá culpar o Passado por lágrimas ainda existentes e feridas que ainda não se curaram?

Quanta semelhança nas interrogações.

O Passado, agora um Futuro solitário, não sabe ao certo que atitudes podem tê-lo deixado assim. Este Futuro cicatrizado não imagina outra vida sem a que o Passado trilhou até que ele aqui existisse.

Eram mãos e contramãos. Escolhas sempre exigentes e apressadas. Mas de uma coisa o Passado era cheio: de esperança. E não se pode negar que muita coisa era sonhada por esse menino. Enquanto o Futuro aquietava-se na sua insegurança de seguir, no seu aparente cansaço. Um paradoxo de objetivos em comum.

Era estranho para o Passado vir, hoje, o Futuro sem nenhum sonho. Um Futuro reclamão, insistente em querer mudar o destino do Passado. Mas como? Não sabe ele que para ser o Futuro que é, o Passado precisa ser o mesmo? Ser ele mesmo!

Talvez agora compartilhem um drink. O Futuro pode, sendo assim Passado, ainda, aproveitar enquanto as consequências no estômago não existem. Sendo ele Passado, muita coisa pode ser aproveitada outra vez. Para o Passado tudo é novo. Para o Futuro .. é só mais um presente!

Não despedem-se. Não ainda.

Deixa ser mais presente o Presente. Acreditemos que talvez assim o assunto seja mais interessante que ambos, não é?

domingo, 2 de outubro de 2011

Devaneios #2

Espera, deixa eu pensar .. deixa eu conversar comigo para que eu entenda o porquê de eu, ainda, sempre tremer quando ouço falarem em nós. Aliás, em você. Essa minha mania de nunca separar as coisas nossas .. não, não são mais nossas! Agora são as suas coisas, e as minhas coisas. Nossa!

Por vezes eu me atrapalho em qual é a minha escova e a sua. Gosto mais da sua. Preciso agora acostumar-me com a minha. Preciso aprender. Você um dia me disse "aprende, aprende que é mais fácil". Pois é. Quero aprender!

É ruim ter de arrumar apenas um prato na mesa. O outro fica lá, [in]quieto, dá impressão que quer vir. Mas ele não tem que querer, não é? Não é mais nosso.

Espera. Não me ouça. Eu não quero que você saiba que eu sinto falta de mim perto de você. Eu não quero que você se lembre que eu, ainda, não esqueci os nossos tantos "em comuns". Eu não quero. Eu não posso querer. Você um dia me disse: "Nem sempre se pode o que se quer". Pois bem, eu não posso querer!

Saia daqui. Saia e me deixe. Não, não me leve mais. Não me deixe ter segurança do seu lado. Eu preciso aprender a andar sozinha, mesmo que seja naquela corda bamba que minha mão insiste em ser segurada pela sua. Ela não vai mais achar a sua, por isso ela precisa aprender o equilíbrio. Ela tem que ir só. Você já me disse: "Todo mundo é sempre só". Pois bem, tenho que me acostumar.

Leve você daqui. Leve seu lençol quadriculado que muda de cor de acordo com os nossos [que não são mais nossos, puxa!] sonhos. Leve-o. Lave-o. Apague dele o nosso cheiro. Você um dia me disse: "O que os olhos não cheiram, os cheiros não sentem" , não foi bem assim, mas eu entendi.

Limpe a casa. Limpe a bagunça que eu sempre deixo quando chego do trabalho correndo para tomar banho na mesma hora em que você. Eu não preciso mais esquecer a minha toalha. A sua não vai estar lá para ser dividida e ser unicamente nossa. Você um dia me disse: "É melhor agora que ainda tá cedo". Pois é, ainda dá tempo pegar a minha toalha.

Desliga o som. Desliga a minha voz mais alta que ele. Desliga esse tom desafinado que no fundo é bem gostoso por ser nosso. Desliga. Você um dia me disse: [silêncio].

Rasga essa página que não tinha intenção de ser rascunho. Rasga e joga fora, queime, faça o que achar melhor, sei lá! Mas tire ela da contra-capa, esse livro não precisa ter folha de rosto, não precisa mais nem de capa. Não há livro sem nossas letras. Não há de haver. Você já me disse: "Pode não dar tempo passar a limpo". Pois é, não deu!

Espera. Eu queria conversar comigo e acabei conversando com você, sobre nós. Outra vez?

Até quando? Por quanto tempo você vai insistir em permancer aqui pra sempre?

Dorme vai, vira para lá. Descobre teu lençol de cima de mim, e descruza os teus pés dos meus.

Vê se acorda antes de mim e não esquece de fechar a porta do quarto quando sair.

Eu quero esquecer, um pouco mais, que eu AINDA não aprendi!


*ah, e vê se troca o número do celular também!

domingo, 11 de setembro de 2011

Liga não,



as pessoas são assim mesmo. Umas são o que são, outras fingem que são, algumas pensam que são, tem as que querem ser, as que não conseguem ser, as que precisam ser, as que cansaram de ser e as que vão ser… E tem muito mais, acredito. Mas a melhor de todas elas, são as que são e ainda nos fazem ser.


[ Diego Nunes ]

sábado, 3 de setembro de 2011

Um SER_TÃO cheio ..

.. de desejos, de sonhos, de bondade e de cafés sempre quentinhos na mesa.
Nessas minhas visitas nos interiores das “pessoas”, que o IRPAA a mim confiou e oportuniza-me cada dia viver, vou descobrindo o que há muito eu já sabia: - O sertão é o meu lugar!

Numa casa de taipa, de tijolos queimados, ou de barro molhado com o suor do rosto não moram reclamações, nem tão pouco egoísmo. Pelo contrário, a porta que se abre dos dois lados e uma janela que faz sair o aroma do cafezinho de qualquer hora que a gente chegue mostram-me o quanto é bom morar por aqui.

Um “ôh de casa” acompanhado de mãos juntas fazendo som de palmas traz a agradável recepção do “oi de fora, pode entrar”. Não vá ligando pra bagunça, mas se acomode como se aqui fosse a sua casa, e bem no fundo a gente sente que é. Um abraço de “que bom que você tá aqui” que demora tanto por ser tão bom e a gente não querer soltar, nem querer ser solta, para não perder o abrigo, sabe? Um sorriso de quem quer tanto que a gente seja parente por tantas vezes que nos perguntam “tú é filho de quem?”

Um sofá daqueles que só cabem um, forrados com paninhos que juntos na costura daquela máquina de manivela formaram um novo, cheio de cores, e uma almofadinha que de “fuxico em fuxico” entrelaçam-se em uma conversa que vai até a hora que a gente não vê passar ficam ali nos convidando a “sissentar”.

Na cozinha o fogão de lenha fazendo som quando as galhas que dançam em cinzas se acendem embaixo da panela preta que tem feijão cheiroso com folha de louro dentro. Tipo comida de vó. E como é bom comida de vó, e como é bom avó, aah, vó, que saudades!
Quartos, muitos quartos, agora vazios, mas cheios de cheiro de saudade, que viram lágrimas quando lembram da vontade de querer que todo dia seja semana santa, pra que a casa fique cheia e aqueles quartos diminuam.

Vamos nos sentar. Vamos voltar para as histórias que ela tem satisfação em contar pra gente. Tanta história que seus cabelos agora brancos vão clareando nossa mente na viagem que ela nos faz fazer, lembrando de quando era bem moça e gostava de pintar. E de plantar. E de colher. Mesmo a vida lhe dando um balde de água pra carregar, ele não pesava mais que seus sonhos dentro da cabeça. Sonhos muitos não vividos, mas só por terem sido sonhados valeram a pena. Há sonhos que nasceram só para serem sonhos, não é? Como o meu em ser passarinho, mas isso é letra para outra linha de texto [risos].

Pois bem. É uma satisfação sem tamanho ir a um lugar onde ninguém aposta que alguém possa sobreviver e ver que há vidas que não sobrevivem, mas vivem! Vivem de chinelos que fazem barulho no meio da casa, vivem de lenço na cabeça para proteger um pouco a quentura do sol, vivem embaixo de cabras para ter leite bom e sadio, vivem cortando palmas apesar de só ter uma perna, mas a criação não pode ter fome apesar do seu dono não ter mais condições de andar até eles. Vivem com os filhos que os deixaram para irem buscar “vida melhor” no sul, mas que fazem falta quando o sol vai se pôr e eles não estão na rede do quintal para beber café e admirar essa maravilha de ter um céu inteiro e laranja colocando o sol para dormir, só pra gente! Só aqui!

A gente nem quer ir embora. Nem dá vontade! Até porque ainda tá cedo, né? Mas - até mais dona Sinhá, - fique bem seu Joãozinho. Obrigada pela benção, pelo café e pela prosa. Obrigada pelo dia de lição por reclamar tanto da minha falta de tempo. Ele me mostra que eu não faço nem metade do que o de vocês é capaz de me mostrar.

É um SER_TÃO encantado! É um SER_TÃO vivo! É um SER_TÃO lindo.

Que chova por aqui. Que chova por lá!
Que chova os meus olhos de alegria toda vez que eu puder ganhar inspirações assim, como essa de dias tão bons, dias tão merecidos.




*Na foto: Dona Nanuca cuidando da horta e das ervas que curam junto com a FÉ :)

sábado, 20 de agosto de 2011

Por isso, eu sou esse texto!

Talvez a verdadeira intimidade eu só tenha buscado com as palavras, e tenha me entupido delas no momento em que poderia estar aprendendo alguma coisa com alguém. (Faço um muro de palavras entre mim e as pessoas. Sou autoexplicativa só pra confundir.)

Talvez eu tenha nascido para uma vida desapaixonada e culta. Talvez eu nunca tenha olhado verdadeiramente o outro, e só tenha visto o texto pronto que criei pra ele. Talvez eu não conheça o que julgava conhecer. E isso me entupiu de certezas que eu não soube abandonar ao longo do caminho.

Uso palavras para não sofrer, para plagiar uma dor, pra fingir que sou leve e que está tudo bem. Uso palavras pra falar de uma chuva que talvez eu não conheça porque não me permiti ficar encharcada dela. E ela virou a metáfora de um relacionamento_ o que pode ser tristemente poético.

Talvez eu só tenha sentido saudade pra falar de outras coisas. Pra usar a palavra "saudade" mesmo, que eu adoro. Acho que estou muito cansada. Falei demais das coisas e , no entanto, não toquei verdadeiramente em nada. Observei e descrevi, cheia de filtros semânticos. Dentro da minha limitação eu interpretei o Universo para que eu coubesse nele, em mim. E alienei as pessoas dentro de conceitos. E arranjei um sentimento pra cada coisa. E pensei que assim, tudo estaria em ordem, sob controle.Eu que me julgava não julgadora, me considerava livre, agora tendo que empurrar as grades dessa prisão de certezas que criei pra mim. Sem poder culpar ninguém. Usando um discurso de alguém que não quer magoar o outro pra descobrir que no fundo só me importei comigo mesma e com os meus medos. Não deixei que o outro experimentasse o que havia de melhor ou de pior em mim. Não deixei que ele escolhesse. Mantive o muro de palavras e o meu discurso pronto pra continuar a salvo do outro lado. Eu que sempre falei de pontes...

Talvez eu seja uma farsa. Talvez eu seja virtualmente inacessível. Alguém que se entope de adjetivos pra entender as coisas e dizer que não se preocupa em entender nada. Eu que sempre falei de amor, não amei o outro em toda a dimensão da pessoa que ele é. Talvez eu tenha me preocupado mais com as vírgulas que não usei nas cartas de amor que escrevi, que com as pessoas que as receberam e que se julgaram amadas.

Talvez eu só tenha dançado pra fingir que gostava de música. Talvez eu só tenha bebido pra fazer parte de um círculo social. Talvez eu só tenha aceitado certas coisas pra poder ser chamada de amiga_ e usei levianamente a palavra amizade.Talvez eu tenha me apaixonado diversas vezes pra fazer parte do círculo de pessoas que sorriem diferente porque estão amando_ e sofri as carências que intercalam as paixões como se fossem reais. Talvez eu tenha rompido relações pra escrever cartas de despedida e mostrar como eu dominava a dor ao escrevê-las. Talvez eu só tenha experimentado as relações dentro da literatura.

Acho que estou realmente cansada. Falei demais sobre tudo e continuo no escuro. E a minha recusa em tocar nas coisas me impede de sair tateando em direção à luz. E mais uma vez eu uso palavras pra tentar me defender de algo, de mim. (Talvez eu precise parar de ler Clarice Lispector...)

Talvez eu devesse escrever uma carta em branco pra dizer que quero silenciar: que se o silêncio ainda estiver esperando por mim, eu aceito. Preciso esquecer as palavras, preciso me despedir delas para começar a experimentar a vida com honestidade. Talvez silenciando eu consiga ser mais honesta com você. Eu que precisei escrever tanto pra dizer isto: que preciso silenciar.

(Talvez eu só tenha escrito isso tudo pra conseguir chorar... E usar a palavra "talvez" pode ser o início do abandono de tantas certezas; o início do uso mais corriqueiro da frase “eu não sei".)


[Marla de Queiroz]

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sensações ..

Eu me perdi, perdi você .. Perdi a voz , o seu querer.
Agora sou somente um. Longe de nós um ser comum.
Agora sou um vento só. A escuridão. Eu virei pó, fotografia, sou lembrança do passado.
Agora sou a prova viva de que nada nessa vida é pra sempre até que prove o contrário!

Estar assim, sentir assim: turbilhão de sensações dentro de mim.
Eu amanheço, eu estremeço, eu enlouqueço, eu te cavalgo embaixo do cair da chuva eu reconheço ..

Estar assim, sentir assim: turbilhão de sensações dentro de mim.
Eu me aqueço, eu endureço, eu me derreto, eu evaporo, eu caio em forma de chuva eu reconheço.

Eu me transformo ...

[Paula Fernandes]

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A hora é essa!

Saia desse quarto. Páre de chorar. Limpe as mágoas e as tristezas .. agora!

Diga sim ao convite! Se você quer, vá! Se você é, seja!

Abra sua mão, aceite a quem te convida para dançar, tome um banho demorado, não pense! Feche os olhos, deixe a água cair no seu pescoço, levante os braços e cante alto. Exugue-se, mas deixe a água do seu cabelo escorrer pelas suas costas, e o mais refrescar seus pensamentos, isso é bom!

Separe a roupa mais confortável, que seja velha, o importante é que é sua e que você se sente bem dentro dela. Use-a como se estivesse usando uma pele. Passe perfume, aquele que todo mundo gosta, mas que você ama. O que tem seu cheiro dentro. Passe nas mãos e as cheire. Veja se seu cheiro fica depois que você sai, é uma forma de eternizar a sua presença, ainda que por instantes .. Deixe seus cabelos soltos e suas [pre]ocupações presas. Ligue para avisar que está pronta! E vá .. saia sorrindo.

Saia já sabendo que vai ser bom! Porque se você o fizer, vai ser.

Despeça-se de sua mãe e lhe peça a bênção. Ela vai ficar feliz pela companhia que você sempre busca ter e a encontra atravéz de sua mão beijada com um "Deus te abençõe".

Encontre as companhias que te gostam perto, abrace-as, agradeça por elas estarem bem e te fazerem bem, também.

Andem, de mãos dadas ou não, mas andem juntas. Conversem sorrindo. Elogie a noite, e como "estamos" belas nela. Agradeça outra vez, desta vez em pensamento.

Ouça o som, conheça seu espaço, respeite os dos outros e dance!

Dance como quando você dança quando está sozinho no quarto, ou quando toma banho e quase escorrega. Dance de olhos abertos, de olhos fechados, de olhos juntos, de olhos .. mas dance!

Cante! Cante sem saber cantar, mas cante. Ouça sua voz junto com o som das outras vozes e a reconheça, e goste de sua voz ainda que desafinada. Não fique rouca. Mas se ficar, tudo bem. Só não fique muda.

Se for na grama, tire as sandálias e deixe os passos sentir as raízes que tem. Levante os braços e mostre as suas asas a altura de ir além.

E vá! Deixe-se ir ..

Beba .. Não beba até cair, beba para refrescar. Que seja água, mas que seja! Beba para agradar o calor.

E se chover, molhe-se nela. Dance com ela, olhe para ela e deixe pingar na sua pupila, mesmo que doa, tudo dói. Mas tudo dói menos do que não sentir.

Brinque .. ria .. seja exagerado no sorriso, mas que seja sorriso!

Agradeça, agora só sorrindo.

Abrace. Abrace como se você não mais pudesse abraçar. Abrace como quem não quer perder, nem se perder. E beije! Beije .. pode beijar. Desde que não seja qualquer beijo, mas que seja o beijo da vontade. O beijo que faz o abraço prolongado se perder nos olhos fechados na noite que a chuva cai molhando seus cabelos soltos. Beije como se fosse o último beijo da sua vida.

Toque nas mãos da companhia que te faz bem. Toque dedo por dedo, encontrando os seus, sem se prenderem e se perderem. Dance juntinho. Veja se o coração conhece quando o outro bate junto.

Deixe o som parar. Mas não páre!

Deixe a luz apagar, mas não apague o hoje que você está.

Volte para casa. Volte bem.

Agradeça por ter voltado, também por ter ido. Ter vivido. Ter se permitido.

Saiba que a companhia que lhe é de importância também voltou e está junto. E que não há outra pessoa que lhe trará alegrias assim que não seja essa companhia que você traz. Olhe para ela. Chamam-na espelho. Mas o que há nele é muito mais que um simples reflexo. É a sua companhia.

Sorria para ela. Esteja bem com ela. Cuide dela. Valorize-a ..

Ninguém dá ao outro aquilo que ele não tem para si.

Por isso tenha a sua companhia e não deixe ninguém sozinho quando estiver junto com você.

Viva.

A hora é essa! E 'essa' merece ser pra sempre ..

terça-feira, 26 de julho de 2011

Não dá!

Por que é tão difícil ser mais fácil?

Seriam as perguntas que não sabem ser pronunciadas como a resposta gostaria, ou sou eu que não sei falar oue deveria?

Existe agora, em mim, a moça tecelã de Marina Colassanti, no entanto diferente na coragem de "destecer" as tristezas e mágoas que ela mesma teceu. Quero puxar a linha e desfazer, mas sem deixar marcas no pano, seria possível?


Esta menina, ainda menina que não cresce nunca, mais uma vez viu que o seu lugar não é aqui. Cresceu, apesar de menina que não cresce, com o anseio insaciável de ir morar no infinito do azul que encobre o céu que a encobre. Mas cometeu a triste [triste?] traquinagem de segurar na mão do menino que tem raiz cravada. Ela achava que era possível, junto com ele, usar suas asas para voarem juntos, mas a raiz desse menino estava e sempre estará presa na sua comodidade e, [seria medo?] no não interesse de conhecer junto com a menina, o seu azul .. aparentemente tão triste por achar-se distante.

Não queria que ele soltasse sua mão. Não era assim. Não tinha de ser .. mas foi!

A menina não conseguiu arrancar do chão quem com ela seria a companhia certa para ir lá em cima.

Que menino bobo. Que menina sem sorte!

Que planos furados ...

Eram dois olhos meus, nele, virando mar, pedindo para que ela trocasse asas por raízes também. Era como se, para ele, o azul infinito do céu que a menina quer ter, antes com ele, não fosse tão importante. Não precisasse dela.

Estou com meus pés cansados .. Estou com marcas n'asa .. Estou desaprendendo a andar de mãos dadas .. Estou ..

Por que, menino? Por que você cresceu assim, mais do que eu e menor do que o seu tamanho de voar?

"Por que a gente nunca sabe de quem vai gostar" e quando gosta não se gosta de ter que gostar assim.

Não tem piada, não tem mais!

Não há música no fone que não a faça chorar!

Não existe outro rumo se não o azul, da menina que não cresce e que quer ousar das asas que tem, que nasceram com ela, sem culpa de ser rara.

Não me peça isso.

Não sopre o vento para a direção contrária.
A menina pode ir junto ..

Pois quem tem asas assim, como as dela, não se prende em solo incolor!

Não dá!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Poeminha



Tem que ser baixinho, de mansinho e com cuidado.

Tem que ter carinho, bem juntinho, lado a lado.

Tem que deitar no colo, pedir consolo, tocar as mãos.

Tem que ser inteiro, de janeiro a janeiro, mais de uma estação.

Tem que pedir calado, ganhar roubado, soprar no ouvido.

Tem que ser singular, ser dos dois um só ar, sem se ter dividido.

Tem que ter cafuné, o segredo qual é? Você sabe fazer.

Tem que estar no sorriso, no meu brilho escondido, que não cansa acender.

Tem que ser poesia, de noite e de dia, e de dia um azul.

Tem que ter pele nossa, com som ou sem bossa, corpo bailando nú.

Tem que rimar sem compasso, sem ter embaraço, sem se conformar.
Tem que ter melodia, errando a grafia, mas plural conjugar.

Tem que ter segredinho, voz de passarinho, som de cata-vento.
Tem que estar na lembrança, esta eterna aliança, este nosso momento.

domingo, 3 de julho de 2011

Só estou triste!

Não! Não me pergunte por que é que eu estou triste, pois você não irá entender .. Nem eu entendo!
Não faço questão de ser entendida também. Estou triste por estar. Por não ser alegre sempre, por ter o direito de estar.
Sim um direito!

Eu tenho o direito de estar triste e estou. E isto está me alegrando agora.

Claro que posso ser alegre estando triste. Não posso é ser triste estando alegre.
Compreende? Então!

Amanheci sem o sorriso de quase todo dia, sem algo que sempre completa o meu café [e não era nada de comer], sem uma pulguinha que me deixa bem. Mas não estou mal, entenda! Só estou triste.

Por um instante eu até gosto dos dias de quando estou triste. Estando triste eu me preocupo bem mais comigo, muito mais do que quando estou alegre. Busco traçar metas diferentes, mais sérias. Não digo que esqueço dos sonhos, não é isso. Mas é que, desta vez, eu sonho com o pé no chão, dá tempo para as asas descansarem de voos, muitas vezes, fracassados.

Estando triste eu não alimento tantas expectativas em algo ou alguém, por isso sofro menos, decepciono-me pouco, quando não me decepciono, já que não esperei nada.

Triste eu falo menos e ouço mais. Mesmo não gostando muito do que ouço. Não gosto que me digam que não posso ficar triste. Quem disse que não posso? Não só posso, como devo!

Triste eu lavo meus olhos. E, chega um tempo em que tanta lágrima dentro da gente sufoca, não é? Por isso as deixo derramarem em mim, elas não mancham minha face, não mesmo. Elas lavam, elas limpam, elas levam .. levam até a tristeza que me deixa triste.

Estou triste hoje. Estou sim. Estou cuidando bem de mim.

Estou me preparando para receber o dia em que eu estiver alegre.

Daí sim .. você pode perguntar o porquê de eu estar tão alegre.

Ora, pois se estou alegre, é porque não estou triste!

sábado, 18 de junho de 2011

Devaneios, parte1




Eu vi, hoje, um homem de pés descalços, sem rumo, sem calçado, esquecido de viver.

Vi, eu, um homem hoje, sem viver de esquecido, pés de calçado descalçados, e sem rumo.

Um homem, eu vi, sem rumo, descalço, esquecido, de pés, hoje, sem calçado, sem viver.

Sem rumo, um homem, sem calçado, esquecido de viver, hoje, eu vi de pés descalços.

Hoje, eu vi um homem, esquecido sem rumo, sem calçados, de pés descalços de viver.

Um homem sem calçado, vi hoje, eu, sem rumo, de pés descalços, esquecido de viver.

Vi eu, hoje, sem rumo, de pés descalços, um homem esquecido de viver.

Vi, eu sem rumo, de pés descalços, hoje um homem esquecido de viver.



Vi, hoje, uma flor, eu vi ... uma .. vi .. eu .. flor!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dia de aniversário . .

Queria que esta postagem também fosse diferente, mas, assim como o dia de hoje, não será tanto ..

Pois é, meus caros passarinhos que por aqui voam, hoje é meu aniversário. Dizem-no "meu dia", mas não tenho tanta sorte de tê-lo só para mim. Antes fosse ele meu, com certeza seria muito diferente.

A começar pelo sol que seria azul, e as plantas não estariam pregadas no solo, deixando cair folhas, não mesmo! Estariam elas aqui, pertinho, saudando-me com danças e balanços que só quem é árvore entende. Com borboletas rodopiando sobre mim e sobre meus cabelos, bricando de roda com as fadinhas do meu sonho.

Meus amigos não viriam e voltariam, eles permaneceriam aqui, comigo, nesse dia, nesse meu.

Os rádios estariam tocando, em sintonia, a mesma música, aquela que me embala, que me emociona, que me faz fechar os olhos e cantar fora do tom.

A TV, provavelmente, estaria desligada, e do céu cairíam confetes e tintas do arco-íris que acabara de derreter em minha casquinha de sorvete.

Mainha continuaria comigo no colo e painho fazendo cosquinhas na barriguinha de painho.

Meus irmãos festejariam como se o meu dia fosse deles, o que, na verdade, é. Pois eles são, de mim, uma parte inteira.

Se meu fosse, de verdade, esse dia, Amor me levaria para a nuvem mais alta e de lá ia me ensinar a tocar estrelas [de dia]. Sim, há estrelas de dia, mas só existem no dia que é meu.

Queria muito dizer que hoje é meu dia .. mas tive de acordar hà 24 anos para este mundo, este que a gente acorda no dia do nosso aniversário e recebe abraços mecanizados e tímidos, parabéns com sorrisos poucos e presentes que não deviam falar mais do que os sentimentos.

Que um dia, nesta minha pouca idade que cada ano se prolonga, eu possa dizer que tive um dia só meu, com tudo o que me pertence, com tudo o que me completa, com tudo o que é necessário para ser meu, só meu! E eu sopraria, não a velinha, mas a minha essência para todo àquele que, assim como eu, sonha com um dia todo seu.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Monólogo das Mãos

Para que servem as mãos? As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau,
salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;
Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
as mãos dos Césares romanos decidia a sorte dos gladiadores vencidos na arena;
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pos ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda;
o operário construir e o burguês destruir;
o bom amparar e o justo punir;
o amante acariciar e o ladrão roubar;
o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões;
os remédios e os venenos;
os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos. As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes;
no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do «Homo Rebus» lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;
a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta,acariciando, mostra a bondade;
fechada e levantada mostra a força e o poder;
empunha a espada a pena e a cruz! Modela os mármores e os bronzes;
da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza;
doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com as mãos;
as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.
Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.





- Ghiaroni (imortalizado por Procópio Ferreira).

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Isso é caso de poesia



Estávamos voltando para casa: meu sobrinho e eu.

No decorrer da viagem, chamei-o para ver as paisagens pela janela do ônibus.

- Vem, titia, corre pra ver a estrada .. - disse eu.

- Não titia. Não quero ver estrada. Quero ver o céu!

- Mas o céu tá longe, ainda, Lindo.

- Mas você vai lá de avião, titia!

- E você não vai?

- Não. Só gente grande vai de avião ..

- E porque você não vai? Tem medo?

- Eu tenho.

- Então como você vai até o céu?

E ele, com um sorriso tão sapeca e uma verdade que muitos já perderam, respondeu-me:

- Eu vou com os passarinhos :)


Que poesia linda tem o coração das criancinhas, não é?

domingo, 29 de maio de 2011

Exatamente assim ..



"Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar."


[Caio Fernando Abreu]

sábado, 21 de maio de 2011

A menina que "rouba" sorrisos

Ela tem cabelos longos e cheios de liberdade, mesmo estando presos, a maior parte do tempo. Mas, ainda, são livres.

Ela tem dois grandes olhos, um diferente do outro, o que os tornam muito iguais. A singela diferença é que um brilha e o outro reflete. Se bem que o brilho o qual o que reflete brilha quando reflete o reflexo do que brilha os tornam muito, como disse, iguais e diferentes. Bem confuso isso, não é? Pois assim, também, é a menina que rouba sorrisos. Ela é bem confusa quando tenta falar de sua vida, de sua força de vontade, de seu sonho em passar no vestibular, confusa na maneira de me deixar vê-la. E para não se perder, ela nos confunde com uma maneira tão sua de sorrir e, ao mesmo tempo, nos arrancar sorrisos.

Ela é calma. Quase não desconfiamos das suas artimanhas em nos arrancar o que temos. No meu caso, presos. Sim, meu sorriso anda [ou, agora, andava] preso. Estava sentindo a triste hora de ele acabar. Sorrisos guardados cessam facilmente do ‘estoque’, sabiam?

Mas essa menina, de cabelos livres e diferentes olhos brilhosos e iguais, roubou-me os muitos que estavam, ainda, guardados em mim. De mansinho, e leve como um cheiro bom de mar, ela foi me roubando em meus sorrisos. Tão sapeca que eu nem desconfiei. Sabem bem como atuam os roubadores de sorriso, não é? Eles sorriem com a alma. Eles são muito espertos.

E vejam só que coisa! Os sorrisos que essa menina me rouba [toda vez que sorri para mim] estão cada dia mais fartos aqui dentro. Quanto mais sorrisos ela me rouba, mais eu os tenho.

Pois bem, dona menina que me rouba sorrisos. Tenho grande prazer de ser roubada por você, ainda que doam as minhas bochechas e que façam formiguinhas inquietas na minha barriga, a sensação de ter sorrisos de sobra, quando roubados, me mantêm muito melhor!


“E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só.” [C.F.A.]


[Feliz aniversário, Sandrinha :)

domingo, 15 de maio de 2011

♪ Eu que não amo você . .

Eu que não fumo, queria um cigarro. Eu que não amo você, envelheci dez anos ou mais nesse último mês. Eu que não bebo, pedi um conhaque pra enfrentar o inverno que entra pela porta que você deixou aberta ao sair . .
Senti saudade, vontade de voltar. Fazer a coisa certa. Aqui é o meu lugar !
Mas sabe como é difícil encontrar a palavra certa, a hora certa de voltar. A porta aberta, a hora certa de chegar . .

Eu que não fumo, queria um cigarro. Eu, que não amo você, envelheci dez anos ou mais nesse último mês. Eu que não bebo, pedi um conhaque pra enfrentar o inverno que entra pela porta que você deixou aberta ao sair.
O certo é que eu dancei sem querer dançar. E agora já nem sei qual é o meu lugar!
Dia e noite sem parar, corro o risco de encontrar a palavra certa, a hora certa de voltar.
A porta aberta, a hora certa de chegar . .

Eu que não fumo, queria um cigarro. Eu que não amo você, envelheci dez anos ou mais nesse último mês. Eu que não bebo, pedi um conhaque pra enfrentar o inverno que entra pela porta que você deixou aberta ao sair . .


[♪ Engenheiros do Hawaii]

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A morte devagar

Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.


[Martha Medeiros]

terça-feira, 3 de maio de 2011

Por 5 minutos .. Só!

Provavelmente devem ser umas 2 horas da madrugada agora. O plantão está tranquilo, 'grazadeus', mas eu não consigo aquietar o que aqui dentro insiste em me manter acordada e pensativa.

A noite anterior, como disse assim que acordei, tomando café com mamãe, foi uma noite tão boa e tranquila que .. ah, foi boa! A esperança era de que o dia fosse tão bom quanto ela.

Saí cedo para organizar uns documentos a cerca de minha carteira de habilitação. Durante a tarde fui à faculdade buscar o meu tão querido e 'suado' diploma de conclusão de curso. Não vou negar que deu um pouquinho de saudade daqueles corredores cheios de sorrisos de Pablo, Thiago, Nisse e Vânia, e eu, claro, juntos, brincando de 'filosofar literaturas modernas' [rs]. Porém, o estresse da ponte [ainda] em construção, os ônibus lotados, o calor de suportar por obrigação e as intolerâncias e arrogâncias dos cobradores e motoristas, eu não senti nenhuma falta.

Por isso voltei de barquinha. Como sempre, admirada e admirando o Velho Chico, desejando que o sol se pusesse assim que o barco estivesse no meio da travessia, mas esse danado resolveu demorar um bocadinho e acabei não sendo contemplada com esse espetáculo sem preço.

Peguei o ônibus de volta para casa, lotado, mas fui salva pelo meu mp', que presenteava meus ouvidos através dos fones, com a bela e prazerosa voz de Gessinger. Vez enquando eu me atrevia colocar a cabeça para fora da janela e sentia a força do vento de tardezinha, deixando ir embora as pequenas frustrações da viagem diária, cantando exageradamente 'Surfando Karmas' e as pessoas me olhando com olhar de .. de gente que não entende, entende?

Cheguei em casa [e isso é sempre muito bom].

Apesar de ainda com algumas pendências sobre o 'novo emprego', tive de ir scanear uma documentação que, "pense num negócio trabalhoso"? E foi desd'então que 5 minutos tornaram-se para mim, os momentos mais importantes de hoje em diante ..

Eu poderia ter saído umas 19h horas, com isso gastaria 5 minutos até a Lan House, as 19:05 eu estaria lá scaneando o documento, e, provavelmente, gastaria mais 10 minutos, tanto pela demora da máquina, como pela maciez do rapaz ... 19:15, eu estaria indo para a reunião com o orientador de oficinas do teatro e, chegando lá, voltaria reclamando por ele não ter ido e eu ter dado "viagem perdida". 19:30 estaria, eu, indo para a casa dele, vê-lo, desta vez mais cedo, para que assim voltasse também mais cedo e resolveria o restante das coisas, inclusive ler o enorme Projeto que estamos realizando.

Quase uma hora com ele, que passariam depressa e me fariam demorar mais.

Mais quase meia hora e ele teria vindo me deixar em casa, e nós teríamos ficado um pouquinho mais juntos e, por volta de 20:45, ele estaria voltando para casa, antes de ter estado fazendo piadinhas com painho e, chegando, ligaria para me desejar "boa noite, meu anjo", e eu responderia: -e para mim, também? Ele sorriria, através de um sopro gostoso no telefone, explicando para mim pela infinita vez que 'meu anjo' era eu :)

21:00 .. eu estaria descansando meu corpo do estresse do dia, mas ainda assim sorrindo por ter beijado ele, abraçado ele, acariciado seu cabelo e ter mordido seu dedo indicador fazendo-o fazer carêtas ...

Mas não .. Justamente hoje, eu resolvi sair de casa 19:05 .. e justamente esses 5 minutos adiante, foram suficientes para, invés de 20:45 ele estar em casa; 20: 45 estar ele caído no chão .. Justamente no mesmo horário, exato momento em que a outra moto entrou na contramão e colidiu com a dele.

5 .. 5 pequenos minutos fizeram da minha [nossa] noite a mais turbulenta e preocupante. Ele sangrando, com dores, caído .. eu chorando, tremendo, sofrendo. Estresse com a demora da ambulância, desespero com a pressão da polícia, impaciente com o alvoroço dos curiosos.

5 grandes minutos, fazendo minha noite se estender por longos pensamentos, e algumas linhas neste caderno [que agora estarão digitados por aqui].

Como fazem diferença .. como modificam as coisas, os fatos, os casos .. 5 minutos.

Agora, provavelmente 2:25 da madrugada, a enfermeira me pede para esperar uns 5 minutinhos para ter notícias. Os 5 minutos mais esperados até hoje.

Poi bem! 5 minutos .. ele sai.

Abraço-o .. não por 5, agora por 10, para assegurar de que não me tirarão dele em 5 minutos, outra vez.

[Melhoras Amor ...]

quinta-feira, 28 de abril de 2011

...



"Eu tenho muitos amigos, eu tenho discos e livros . . .
Mas quando eu mais preciso, eu só tenho você!"


segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Até loguinho"

Era pra ser uma conversa simples [ok, não tão simples], mas queria que vocês entendessem que, vezenquando, os passarinhos precisam voar .. e sozinhos!

Eu queria dizer a vocês tudo o que eu disse de forma que eu não precisasse baixar a cabeça para não sentir a dor que é dizer 'até logo', 'até loguinho', um gosto chatinho de 'tchau', mesmo.

Eu queria pegar nas mãos de vocês e trazê-los comigo, e mostrar a vocês essa nossa e nova estrada que está diante de meus sonhos. E queria que, assim, de mãos dadas, vocês sentissem e, só por sentirem junto comigo, aliviassem o meu medo.

Eu queria que vocês não ficassem tristes me vendo alegre. Nem ficassem mais tristes me vendo triste, também.

Queria que vocês soubessem que, estou com muito sono, mas não por cansaço, mas por ter ficado a noite toda pensando em como vou ficar sem vocês quando o sol apontar nas minhas segundas, terças e quartas-feiras .. e também nos outro dias que a gente insitia em ter de se ver, pra não deixar ser saudade grande. Mas, apesar do sono, quero estar sempre acordada se isto for contribuir em algo bom pra vocês.

Eu queria que vocês não me deixassem ver medo em vocês, sem mim. Eu sei que não tenho tudo o que queria ter para lhes darem, mas tenho grande orgulho, e digo isso com muita humildade, de ter-lhes dado o que de maior valor eu tenho em mim: meu amor!

Eu queria que seus olhos não me fizessem ver os meus em reflexos de lágrimas suas.

Eu queria que os seus olhos não fizessem os meus virarem mar. Com sal e tudo!

Eu queria que vocês não precisassem ver-se sem mim.. nem eu queria ter de, um dia, me ver sem vocês ..

Mas, meus pequenos [que vocês insistem em querer me provar que cresceram], chega uma hora em que é preciso!

Eu vou .. Eu voo .. mas eu volto!

E eu quero voltar pra perto de vocês e, não mais queria, mas, agora, quero ver os mesmos olhos chorosos que pareciam despedidas insatisfeitas, encherem-se de fé em tudo o que eu consegui ganhar voando, mesmo um pouquinho longe de vocês. E quero mais .. quero, nesses horizontes que vou ousar visitar e vez ou outra pousar por algum tempo, trazer cheiro de crescimento e passá-lo em vocês. Pois é por vocês e para vocês que eu vou ali e volto já .. viu?

- pois, a lição vocês sabem: 'eles passarão .. mas nós .. nós passarinhos' ^^

[Aos meus queridos filhinhos do PJA]

sábado, 23 de abril de 2011




“Não haveria planos, nem vontades, nem ciúmes, nem coração magoado. Se não fosse amor, não haveria desejo, nem o medo da solidão. Se não fosse amor não haveria saudade, nem o meu pensamento o tempo todo em você. Se não fosse amor eu já teria desistido de nós.”




[Caio Fernando Abreu]

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Essa mania de amar demais ..

Acredito que é o que vem me deixando desanimada e sempre pra baixo .. é essa minha mania de amar demais!

Nunca soubera a medida de gostar de alguém, até porque isso acontece com tanta raridade em minha vida. Amo sem perceber, sem ver, sem, vez ou outra, querer! Quando dou por mim, estou amando .. e o pior [ou melhor?] amando muito, amando demais, amando de verdade!Não que isso seja errado, não é isso!
Mas, como você sabe, amar de mais resume-se em: sofrer mais, chorar mais, pedir mais, cair mais, mais .. bem mais!

Tenho mania de me doar, quando amo. Tenho mania de sentir as dores do outro, quando amo. Tenho mania de arrancar o sofrimento do outro para mim, quando amo. Tenho mania de me esquecer só para me lembrar do outro, quando amo. E daí, o que acontece? O outro não me ama demais, como eu. Sim, eu sei que existem pessoas que nos amam, não da forma que queremos que nos ame, mas nos amam como podem, mesmo sem saberem demonstar e blábláblá, eu sei .. mas não me conforta saber disso!

Amo como se deve amar. Amo sabendo que o outro é importante, que o que ele sente é importante, que sua vida, independente da minha é importante, que eu me importo, porque isso é importante.
Amo sorrindo de verdade. Amo porque o abraço é involuntário, mas a demora não, e a força também. Amo porque quando vou dormir, só fecho os meus olhos quando ouço sua voz me assegurando de que o seu sono vai ser bom. Mesmo em pensamento eu ouço isso, só porque eu amo. Amo porque é lindo te ver desarrumado, sem perfume, sem sapatos e com dor de barriga. Amo porque quando chove eu te imagino comigo, juntinho, embaixo do seu lençol [ou pode ser do meu, o amarelinho], vendo 'A prova de fogo' pela décima vez e você me beijar no final. Amo porque mesmo roncando [sim, você ronca, RUM!] eu acho lindo seu sono. Amo porque você não vive sem café. Amo mesmo você se esquecendo a minha cor preferida e eu achar isso um absurdo e você não. Amo porque andar de mãos dadas para mim é a maior prova de segurança. Amo porque sei falar em silêncio .. e aí mora o problema. Você não aprendeu a me ouvir!

E é tão ruim quando não me escuta. Talvez por não me amar assim.
Só amam demais os que tem coragem! Coragem de enfrentar a dor de se sentir só, ainda que acompanhada.

Ah, e se eu desaprender a amar? Será que resolve? Será que melhora? Será que cessam esses gritos em lágrimas que saem de mim quando penso que amo demais .. como agora?

Tudo culpa minha!
Tudo culpa dessa minha mania de amar demais!!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

- Que quer dizer “cativar”?

- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. - Significa "criar laços" ...

- Criar laços?

- Exatamente - disse a raposa - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo ...

- Começo a compreender - disse o oequeno príncipe - Existe uma flor .. eu creio que ela me cativou ...

(...) Mas a raposa voltou a sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

E a raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:

- Por favor... cativa-me! - disse ela.

- Bem quisera - disse o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? - Perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora - disse a raposa. - Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua - disse o principezinho - eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis. - Disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! - Disse o principezinho.

- Vou - Disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou: - Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo. E as rosas estavam desapontadas. - Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três que tornarak-seborboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus - disse ele...

- Adeus - disse a raposa.

- Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que perdi com a minha rosa que a tornou tão especial - repetiu o principezinho a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade - disse a raposa. - Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.


[ O pequeno príncipe, pág's 66 à 72 - Antonie de Saint-Exupéry]