Do avesso, um verso se ajeita ...




domingo, 18 de março de 2012

Namore uma garota que lê

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais.
Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.

Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois. Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo. Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo. Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas. Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Escrito por Rosemarie Urquico e traduzido por Gabriela Ventura.

domingo, 11 de março de 2012

Ei!






Então me diz - você que é mais sabido:
Com quantas músicas se mata uma saudade?

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Eu espero?

Você pediu que eu esperasse ..
E eu espero, antes só preciso esperar mesmo, saber [e quem sabe, entender] o que você quer eu que eu espere.
Quer que eu espere você passar dias sem mim, sem nos ligarmos para dizer que foi engano e aproveitarmos a mentira sincera para lembrarmos o quanto a saudade está espaçosa entre nossos encontros?
Quer que eu espere enquanto o café esfria e você não acorda para irmos juntos ao trabalho e eu precise te acordar, mas você me prende não só entre os nossos lençóis, mas entre nossas peles e eu acabo me atrasando também, sem arrependimentos?

Quer que eu espere para saber se você vai vir almoçar e aproveitar para dividir o seu sorvete que nunca é seu sozinho porque eu sempre fico com os dois?

Quer que eu espere a nossa música acabar, outra vez, e a gente nunca abusar porque ela diz tanto sobre nosso amor, que nem é mais só amor, é uma amizade que permanece além de encontros mais íntimos?

Quer que eu espere naquela rodoviária fria, cheia e vazia sem você, mas que logo se [e me] completa com o seu abraço, aquele tão meu, de quem - me e te - esperava por uma vida inteira?

Quer que eu espere para poder acordar umas 3hrs da madrugada e receber um "queria está cheirando seu cabelo agora" pelo celular, mas que fazem esses mesmos cabelos encherem-se de cheiro e arrepio, ainda que por um largo e sonolento sorriso?
Quer que eu espere para poder comprarmos juntos o seu presente de qualquer dia, mesmo repetindo que não é para você, mas ainda assim o é, e a surpresa ser sempre verdadeira?
Quer que eu espere caminhar na rua e ao encontro daquela nossa árvore de "bons dias senhorita" um passar por cada lado formando um abraço entre nós três? Quer que eu espere para você poder dizer que não tá bem e que eu fique só mais pouquinho, porque mesmo quieta, eu faço tanto por você?
Quer que eu espere você segurar o meu braço com uma fraqueza na força e uma fortaleza no cuidado assegurando-me de que "nós vamos passar por isso juntos" aidna que eu saiba que o problema é meu?
Quer que eu espere um "vou te morder na frente do nosso chefe" em plena reunião de avaliação? Quer que eu evite sorrir e tenha ataque de tosse e precise sair para o banheiro, aquele mesmo que você confundiu com o masculino e acabou esbarrando comigo, e, enfim ... ?
Quer que eu espere ter de refazer esse texto, aparentemente concluído e com possíveis finais, ainda que cheios de interrogações?
Acho que não .. que não sei!
:l

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

...


De todos os melhores lugares do mundo para se morar, dentro de um abraço é o que me completaria.
Há tanta coisa além de braços entrelaçados ali, há tão mais do que união de duas moradas d'alma.
É dentro de um abraço que eu quero morar.
Dentro daquele, preferivelmente, que não meça espaço, nem tempo, nem esforços para que eu continue, pois sair dele é a última coisa desejada por mim.
Quero moradia de abraço.
Quero abraço sendo meu lar.
Quero te abraçar!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Retalhos de mim

...espalhados pela casa.

A noite foi longa e você parecia tão meu que muito pouco me importei comigo depois de nós.
No último gole do nosso suor, vi que necessitava de mais, de muito além do que queria, do que até ali eu tinha, de muito mais que carne, de sensações infindas [sim], mais de você, de mim. E no fim você querendo saber o que eu tinha e, dentro, eu me perguntava, mesmo, era o que para mim faltava, que tanto eu precisava.
- Não é nada!
E o nada é tão vago, ao tempo que pode ser tão tudo.
Quando não se tem tudo, tem-se nada e nada é a falta de tudo, e quando há tudo não falta nada, mas mesmo com tudo, o mesmo tudo nunca completará o nada...
Há muitas interrogações habitando em meus versos, sendo eu reverso, contrário de tudo que do nada eu sou.
Estou com sono, quero que vá embora!
Pode sair, querido! Pode ir sem preocupações, o problema nunca será você.
Vai e me deixa! Deixa que eu me busco, outra hora.
Quem sabe um dia esses pedaços caídos sempre que eu explodo por dentro, um dia deixarão de c[s]air, não é?
Só sentirei, porque neste dia não serei mais minha, mas para quem não sabe muito bem o que [e de quem] se é, ser qualquer coisa, ainda que nada, alivia muito.
Mas, por enquanto, eu vou me catando...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Nossa última primeira vez!

Estou quase no último trago deste cigarro e no último gole desta bebida que ainda me deixa com a boca seca, mesmo depois de ter matado toda a minha sede de noites como essa. Está escuro lá fora, o vento decidiu calar e meus cabelos sentem falta do balanço que ele trazia quando a janela ficava sempre aberta, mas esta foi a última vez em que deixei de abri-la, estou me fechando.
É! Outra vez!
E agora é pela primeira vez, a que será última.
É a oitava vez que a mesma música toca, mas a letra me conta o que eu preciso ouvir, como se fosse a primeira vez que a ouço. É a última vez que eu me permito ficar assim, e a primeira que eu vou seguir sem essas lembranças de ter você sempre pela última noite, ainda que com gosto de primeira ...
Eu sei, eu sei, não precisa repetir aqui em minha cabeça que eu sabia que seria assim. Que nossos primeiros encontros precisavam estar preparados para que entendêssemos que seriam os últimos, mas foram tantos primeiros que me acostumaram, tantos últimos sem fim, tantos fins iniciados sem término, tantos términos começados outra vez .. Que confuso!

Que porcaria de vinho que não acaba, que merda de cigarro que não me sacia a dor da ansiedade.
Jurei que não mais iria trazer para mim as lembranças da nossa primeira última vez.

Não lembraria mais das vezes em que você batia na minha janela, que mesmo aberta te esperava bater, em dias de chuva ou de muito calor, louco de saudades, e me pegava no colo, atravessava meu vestido com o olhar e me beijava como se tivesse medo de, ao parar, perder o ar. E depois de tanto calor compartilhado antes pelos corredores, em cima da mesinha da minha cozinha, e agora em meu lençol de borboletas e depois acalmados com um banho juntos, você vestia sua cara de pau e ia embora, dizendo que não voltaria mais, que era para o meu bem .. que se danem o nós, não é?
A força com que eu batia a porta era para que eu ouvisse, de verdade, que era a última vez!
A última vez cheia de desejos, de primeiros desejos, de vontades loucas, de tesões insaciáveis, carícias tão profundas, nossos corpos juntos, dentro um do outro, já conhecidos, ainda que como se fosse o primeiro encontro, pois cada novo sentir era único. Cada novo gesto, novo som, novo anseio, nova loucura, novo gemido, novo suspiro, novo sorriso, novo, dinovo ... e último.

Último porque tinha de ser.
Último porque era intenso demais para continuar, precisava ser todo naquele momento. Era nosso e era aquele!

E sabíamos.

E vivíamos.
O erro talvez tenha sido vivê-lo outras vezes, sendo últimas.
E termos gostado.
E termos deixado chegar onde chegamos.
Eu não podia me apaixonar, não por você, e não você por mim!

"Eu não moro na sua vida, eu não procurei por você !"

A música não acaba de tocar e eu não páro de pensar nessa noite que passou. E esse vento que agora tornou-se insistente, bate na minha janela fechada e aumenta ainda mais a minha tragada.
Que vontade [in]voluntária de me abrir, de me entregar, de me devolver, de esperar na janela .. droga!
Quem mandou levar amor pra cama?
Preciso de mais um drink, esse não saciou o desejo que deveria ser o último.

Últimos que jamais deveriam ter sido primeiros, e mais intenso ainda, últimos que jamais poderiam ter sido únicos!

É a minha primeira última noite sem você .. ainda que meu desejo fosse de que , essa noite, fosse a sua última primeira sem mim.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Enfim, acabou!

Deu meia-noite.
Tudo em mim refloresceu.
Uma voz interior surgiu.
Um pedido de que tudo que fosse novo, dinovo, chegasse.
Uma lembrança teimosa.
Uma ausência pouco doída.
Uma esperança adormecida.
Um possível novo tentar estava nos meus planos, preciso confessar.
Um sorriso guardado. Uma vida!

Saí. Cheguei. Sorri.

E lá estava ele.

Lindo ainda.
Os mesmos olhos verdes me olharam, saudosos, ou era só impressão?

Lembrei dos outros dias de fim de ano que nos olhávamos e ele sorrindo me perguntava, e agora? Eu só dizia: "enfim, acabou!"

Depois do primeiro gole de champagne ele segurava a minha mão e dizia, no meu ouvido, mas agora é um novo, e começou!
Eu deveria dar um abraço? Não.
E por que não? Sim!

Caminhei em sua direção.
Fogos insistiam em tomar lugar, mas as estrelas não deixavam.
Elas eram barulhentas enquanto eu caminhava [estou falando, sim, das estrelas].
E no momento em que pensei que via apenas nós dois naquele mundo de gente sem cor, uma nova pessoa apareceu ao lado.

E elas? Elas pararam de fazer barulho lá no céu.
Pararam.

E agora eu só ouvia os fogos!

Eu só conseguia enxergar aquilo que os olhos veem.
Tava ficando escuro.

E ele estava chegando mais perto no meu caminhar em sua direção.
E eu pude ver melhor, agora.
Na sua mão direita que da minha tanto foi apoio e carinho, outra segurava.
Já estava muito perto. Não podia desviar o caminho, era óbvio demais que eu caminhava até ele.

E fui.
Continuei.
Eu o abracei, e baixinho no seu ouvido, junto com os votos de um ano que para ele eu quero que seja bom, eu disse: "e enfim, acabou!"
[e ele sabia que não era do ano que eu estava falando!]

... foi por isso que ele não soltou a mão dela, não é?!