Do avesso, um verso se ajeita ...




segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fases [de mim]

Quando nova, revive em mim tudo novo, de novo! Gosto de estar nova, sempre com outros laços enfeitando meus cabelos. Eles me trazem outros motivos para pensar em nada, em qualquer coisa que não as mesmas, as que minguam em dias menos estrelados.
Minguante eu sou oposto! De tudo o que cresce, floresce, enaltece ... de tudo eu sou o oposto. Não tenho vontade de levantar e clarear quase nada que não a minha própria sombra, sombria!
Dias de bruxas, de verdade, como afirma a fase lunar.
Quando estou minguante o sofrimento é bem cômodo, por mais absurdo que isso seja afirmar. Mas, de certo, é o que sinto, decadência! E como sou observada nessa fase, como sou julgada, como sou .. ainda que só esteja!

Mas logo mais tudo cresce, e eu crescente vou-me deixando ser iluminada. É uma fase otimista para mim, de fato! Tudo tende a dar certo, ainda que difícil seja. Fortalecimento, coragem, determinação, agora tudo iluminado em mim, estando em crescimento, sincronizado no mesmo desejo de viver,
i n t e n s a m e n t e !

E quando cheia estou, quão cheia sou!
De nada preciso pois estou preenchida de muita coisa, inclusive de sonhos que enchem, muito, os meus pulmões e me ajudam a não parar de respirar.
Quanta luz tenho [em mim] quando cheia. Quanta luz espalho. Quanto brilho sai desses olhos meus de menina que adora colecionar estrelas no céu da boca.
Cheia!

E em outros, que nada sou, nem nada estou, nem nada quero ser ou permanecer, eu me calo. E nas caladas de noites mais estreladas, no entanto, refletindo, para que ninguém fique no escuro sem mim, mas que, se possível, consigam enxergar alguns fleches perdidos vagando por céus de ruas estreitas, por onde passo, vezes nova, vezes cheia, mas que abandono quando estou minguante esperando ser crescente para passar por ali radiante , n'outros dias de luz ... Em outros me escondo atrás de algodões e deixo molhar angústias, tristezas e refrescar a alma para enfrentar dias mais calorosos [que incomodam], e é aí, quando chove, que vou me refazendo, vivendo - [re]vivendo.
Dias de noite, noites de dia, fases e faces, de menina, de princesa, de sapeca ou prostituta .. de mim, e delas .. fases nossas, faces de lua!

domingo, 18 de março de 2012

Namore uma garota que lê

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais.
Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.

Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois. Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo. Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo. Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas. Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Escrito por Rosemarie Urquico e traduzido por Gabriela Ventura.

domingo, 11 de março de 2012

Ei!






Então me diz - você que é mais sabido:
Com quantas músicas se mata uma saudade?

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Eu espero?

Você pediu que eu esperasse ..
E eu espero, antes só preciso esperar mesmo, saber [e quem sabe, entender] o que você quer eu que eu espere.
Quer que eu espere você passar dias sem mim, sem nos ligarmos para dizer que foi engano e aproveitarmos a mentira sincera para lembrarmos o quanto a saudade está espaçosa entre nossos encontros?
Quer que eu espere enquanto o café esfria e você não acorda para irmos juntos ao trabalho e eu precise te acordar, mas você me prende não só entre os nossos lençóis, mas entre nossas peles e eu acabo me atrasando também, sem arrependimentos?

Quer que eu espere para saber se você vai vir almoçar e aproveitar para dividir o seu sorvete que nunca é seu sozinho porque eu sempre fico com os dois?

Quer que eu espere a nossa música acabar, outra vez, e a gente nunca abusar porque ela diz tanto sobre nosso amor, que nem é mais só amor, é uma amizade que permanece além de encontros mais íntimos?

Quer que eu espere naquela rodoviária fria, cheia e vazia sem você, mas que logo se [e me] completa com o seu abraço, aquele tão meu, de quem - me e te - esperava por uma vida inteira?

Quer que eu espere para poder acordar umas 3hrs da madrugada e receber um "queria está cheirando seu cabelo agora" pelo celular, mas que fazem esses mesmos cabelos encherem-se de cheiro e arrepio, ainda que por um largo e sonolento sorriso?
Quer que eu espere para poder comprarmos juntos o seu presente de qualquer dia, mesmo repetindo que não é para você, mas ainda assim o é, e a surpresa ser sempre verdadeira?
Quer que eu espere caminhar na rua e ao encontro daquela nossa árvore de "bons dias senhorita" um passar por cada lado formando um abraço entre nós três? Quer que eu espere para você poder dizer que não tá bem e que eu fique só mais pouquinho, porque mesmo quieta, eu faço tanto por você?
Quer que eu espere você segurar o meu braço com uma fraqueza na força e uma fortaleza no cuidado assegurando-me de que "nós vamos passar por isso juntos" aidna que eu saiba que o problema é meu?
Quer que eu espere um "vou te morder na frente do nosso chefe" em plena reunião de avaliação? Quer que eu evite sorrir e tenha ataque de tosse e precise sair para o banheiro, aquele mesmo que você confundiu com o masculino e acabou esbarrando comigo, e, enfim ... ?
Quer que eu espere ter de refazer esse texto, aparentemente concluído e com possíveis finais, ainda que cheios de interrogações?
Acho que não .. que não sei!
:l

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

...


De todos os melhores lugares do mundo para se morar, dentro de um abraço é o que me completaria.
Há tanta coisa além de braços entrelaçados ali, há tão mais do que união de duas moradas d'alma.
É dentro de um abraço que eu quero morar.
Dentro daquele, preferivelmente, que não meça espaço, nem tempo, nem esforços para que eu continue, pois sair dele é a última coisa desejada por mim.
Quero moradia de abraço.
Quero abraço sendo meu lar.
Quero te abraçar!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Retalhos de mim

...espalhados pela casa.

A noite foi longa e você parecia tão meu que muito pouco me importei comigo depois de nós.
No último gole do nosso suor, vi que necessitava de mais, de muito além do que queria, do que até ali eu tinha, de muito mais que carne, de sensações infindas [sim], mais de você, de mim. E no fim você querendo saber o que eu tinha e, dentro, eu me perguntava, mesmo, era o que para mim faltava, que tanto eu precisava.
- Não é nada!
E o nada é tão vago, ao tempo que pode ser tão tudo.
Quando não se tem tudo, tem-se nada e nada é a falta de tudo, e quando há tudo não falta nada, mas mesmo com tudo, o mesmo tudo nunca completará o nada...
Há muitas interrogações habitando em meus versos, sendo eu reverso, contrário de tudo que do nada eu sou.
Estou com sono, quero que vá embora!
Pode sair, querido! Pode ir sem preocupações, o problema nunca será você.
Vai e me deixa! Deixa que eu me busco, outra hora.
Quem sabe um dia esses pedaços caídos sempre que eu explodo por dentro, um dia deixarão de c[s]air, não é?
Só sentirei, porque neste dia não serei mais minha, mas para quem não sabe muito bem o que [e de quem] se é, ser qualquer coisa, ainda que nada, alivia muito.
Mas, por enquanto, eu vou me catando...