Do avesso, um verso se ajeita ...
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
MudAR
... de país, de estado, de cidade, de escola, de casa, de roupa, de sonho .. de sonho? Acontece que eu precisei mudar, começando pelo guarda-roupa. Troquei de lugar, de preferência com o espelho voltado para o grande texto que escrevi nele, assim, ao me ver, logo em mim, estará escrito muito coisa. Por dentro, muita coisa antiga, amiga, saudosa, vencida ... Cartas antigas com promessas bem feitas, mas que foram assim e não são mais. Frascos de perfumes que insistiam em perpetuar o cheiro que o vento do esquecimento já tinha se encarregado de levar. Papel de bombom sem brilho e sem gosto, palitos de pirulitos mordidos, ingresso de show's que não rolaram e entrada do cinema recusada. Cd's, gibis, flores de plástico. Tudo que é papel, rasguei.
Rasguei-me também.
Por um minuto acreditei que mudar dói. Assim como nostalgia. "Nostos" que significa volta, e "algo" que quer dizer dor. Cortella diz então que "nostalgia ficou sendo a dor da volta, a dor daquilo que já se foi e continua doendo". Queria mesmo que só fosse saudade, mas não, era mesmo nostalgia. E cada rabisco antes rasgado, era lido, questionado, perguntado e insatisfeito lamentando o porquê não ter sido futuro também? Talvez porque o tempo de tê-lo existido era aquele. Talvez por termos mudado.
Mudamos!
E que bom que na mudança me veio a coragem de jogar fora o que pesava aqui dentro.
Um coração cheio de poeira ainda ali me olhava, piedoso de não ser jogado fora, que tanto durou ali trazendo lembranças de um dia ter enchido meu quarto de alegria e meu coração de doce. Ou seria o contrário? Mais contrário seria eu me desfazer de algo bom, como um coração presenteado-me em um tempo oportuno e que eu, menina levada, não tive cuidado como deveria, mas cuidei como quem cuida de um passarinho no céu, eu juro! É pena que nem todo entendem, nem todos alcançam o céu dos passarinhos iguais a mim.
Mudei!
Virei o coração pelo avesso e dei-lhe nova cor. Melhor que jogar fora, não é? Pintei meu coração de branco. Branco de limpo, de junção de cores, de folha clamando escritos novos.
Pintei meu coração e colei nele o que sempre o fez ser meu, bom e feliz. Pintei meu coração com os sorrisos mais bonitos que enfeitam minha vida como ela é.
Sem mudar suas caras, preenchi meu coração. Cobri as marcas de feridas saradas, cobri e sarei com aqueles que foram e sempre serão remédios para os tombos que me machucam.
Um novo e bonito coração do jeito que sempre foi!
Nova visão ao acordar, mas as mesmas companhias do amanhecer.
Mudei muito.
Mudei muito para voltar a ser.
| Família que não se escolhe e família que nos acolhe. |
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Meu Velho, São Francisco.
Sempre que te vejo, manso, terno, querendo gritar desejos internos - contemplo!
Quanto te toco e que me tocas devagar [ou com força, mas sem pressa] espero e me deixo, querendo entender o mesmo ar que respiramos. Não entendo!
Tento, nós juntos, ser vocês ou te guardar. Passar as mãos nas tuas feridas e soprar para a dor amenizar, e por pouco me saro.
Ah, menino doce, menino velho se Velho não fosse. É meu, sem reclamar, sem economizar no nascer, sem implorar meu cuidado, sem eu merecer. Mas molha em mim, hoje, assim, lágrimas de medo.
Medo de não ser mais meu, de não me dar o que ainda não me deu, de me deixar orfã sem teus toques adocicados molhando os cabelos meus.
Eu imploro por você, Francisco, que tem nome de doação.
04 de outubro, é só pra reforçar!
Quanto te toco e que me tocas devagar [ou com força, mas sem pressa] espero e me deixo, querendo entender o mesmo ar que respiramos. Não entendo!
Tento, nós juntos, ser vocês ou te guardar. Passar as mãos nas tuas feridas e soprar para a dor amenizar, e por pouco me saro.
Ah, menino doce, menino velho se Velho não fosse. É meu, sem reclamar, sem economizar no nascer, sem implorar meu cuidado, sem eu merecer. Mas molha em mim, hoje, assim, lágrimas de medo.
Medo de não ser mais meu, de não me dar o que ainda não me deu, de me deixar orfã sem teus toques adocicados molhando os cabelos meus.
Eu imploro por você, Francisco, que tem nome de doação.
Eu imploro por você que ecoa no silêncio calmo de quem em prece implora cuidado qual fim de oração.
Ainda assim, teimoso que é, teima em estar aqui, aguando sempre e tanto seu povo que muito te precisa e te rima em canção, não te queremos em pranto, Velho Chico, mas vivo e pulsando como um grande coração.
Todo dia é dia de cuidar!04 de outubro, é só pra reforçar!
São Francisco, rogai a Deus por nós.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Encontro per_verso
E sente.
Quente, faz-me respirar!
Permeio, vagueio,
anseio, reencontrar!
Tão só, está. Tão
meu, penar.
Tão mais que horas,
vazias, demoras, desejos a sufocar.
Porquês sem findar.
Finais começar.
Soprar ilusões.
Alimento-me pouco,
percebo-me muito, faminta de ar.
Os dois. Num só.
Solar.
O toque. O cheiro.
O pensar.
Despir-se do medo -
rompante, sarcástico.
Perder-se em meio
aos sonhos - ousados, mordaz.
O mesmo sim.
Inúteis nãos.
Bons, saciados,
entregues ao caso, acaso.
Quente, faz-me
sufocar!
Perpasso!
Percalço, tortura
em parar.
E sente.
E volta. Sem pena,
uma pena, penar!
Não mais ser,
sequer estar.
Ao bel-prazer.
Findar.
Ausente!
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
... menina!
Menina crescida, que bom que seria, se crescida não fosse.
Menina levada, levando topada, bambeia de medo, que antes não tinha.
Menina que escreve e mal fala. Menina perdida, perdida como uma bala. Com pressa e sem ter onde chegar.
Menina quieta, que muito teimava. Que falta te faz.
Menina tão doce, que há? Amarga menina que antes não, tornou-se!
Menina crescida, que bom que seria, se menina sempre fosse.
Menina chorona, feridas sem cura, que agora não sabe assoprar. Que dói muito mais, mesmo sarando. Sarar também dói?
Menina sozinha, sem colo, sem ombro. Onde estão?
Menina, quem era? Por que deixou de ser? Quem fez isso com você?
Menina calada, com água nos olhos, evita chorar. Guarda a tristeza pra quê? Não sabe o porquê.
Menina crescida. Menina de antes. Quanta saudade te enche?
Menina dos olhos, não pisca com medo. Há cisco em todo lugar, mas ainda assim evita entrar, no vento bailar, deixar-se levar!
Menina, vem cá!
Menina ...
Menina levada, levando topada, bambeia de medo, que antes não tinha.
Menina dos outros, sente saudade de si. Que dói o vazio, que não controla o sentir, e dança sozinha por aí.
Menina de antes, que tudo sonhava, pedia, queria. Menina, cadê?Menina que escreve e mal fala. Menina perdida, perdida como uma bala. Com pressa e sem ter onde chegar.
Menina quieta, que muito teimava. Que falta te faz.
Menina tão doce, que há? Amarga menina que antes não, tornou-se!
Menina crescida, que bom que seria, se menina sempre fosse.
Menina chorona, feridas sem cura, que agora não sabe assoprar. Que dói muito mais, mesmo sarando. Sarar também dói?
Menina sozinha, sem colo, sem ombro. Onde estão?
Menina, quem era? Por que deixou de ser? Quem fez isso com você?
Menina calada, com água nos olhos, evita chorar. Guarda a tristeza pra quê? Não sabe o porquê.
Menina crescida. Menina de antes. Quanta saudade te enche?
Menina dos olhos, não pisca com medo. Há cisco em todo lugar, mas ainda assim evita entrar, no vento bailar, deixar-se levar!
Menina, vem cá!
Menina ...
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
"Dos filhos deste solo, és Mãe gentil!"
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| Fonte: LizandraMartins/Facebook |
Que Pátria és tu, Brasil?
Silêncio, calem-se diante de suas indignações, povo sem vez, voz em clamor. Façam silêncio, a Serpente pode acordar!
Entraram aqui, no lar que sempre foi nosso, e nos prenderam do lado oposto dos encontros perfeitos de nasceres e pores de sol.
Que barulho de injustiça palpita no meu peito.
Mas é preciso calar. A Serpente pode acordar!
Das árvores frondosas o podar bem mal feito. A terra, nossa terra, que de leve nos sentia, agora é pisada com botas fortes e riscadas pelas grandes armas do poder que nos defende! Defende?
Defender-nos de quê?
Defender-nos de um espaço que acolhe famílias, casais, casas, violões e margaridas, olhos, sentidos, vestidos, amigos e meninices que se deixam cair nas águas do nosso, NOSSO, tão acolhedor Velho Chico?
Defender-nos do brilho inexplicável da luz que nasce, ao pé da cruz, e clareia a vida de quem dorme pouco, porque precisa ter tempo para lutar por algo melhor?
Defender-nos do espetáculo divino que é o até breve ao sol, e ver a lua querer ser bailarina coroada e refletida no rio?
Defender-nos de ter para onde ir, onde ficar, onde deixar-se ir pra qualquer lugar sem sair daqui?
Defender-nos do que tão bem nos faz?
Não, gritos! Aqui em mim façam silêncio. É preciso!
A Serpente agora pode acordar!
Que será de mim longe do que me faz bem?
Que será de mim ver o que é meu sendo tomado?
Que será de mim que não tenho se quer o direito de querer?!
Que será de mim que não sei mais nadar... calar?
Uma pausa para a canção de ninar. Ilha bela, do Fogo que aquece nossa alma, ilha calma, ilha tomada. Ilha indignada!
Façam silêncio revolucionários! Digam aos seus filhos que liberdade é viver preso! Ensinem às suas crianças que o natural não nos pertence!
Calem seus sonhos!
Despertem seus comodismos!
Desapeguem-se do que é belo e não existe!
A Serpente ... a serpente pode acordar !
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| FotoFonte: Flávio Henrique/facebook |
*Às 1:00 desta manhã de 03 de setembro o exército ocupou a Ilha do Fogo, em nossas Juazeiro/Petrolina, proibindo assim, qualquer acesso à ela. A luta não terminou. Mas os olhos não puderam deixar de marejar e demonstrar a tristeza!
terça-feira, 21 de agosto de 2012
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