Do avesso, um verso se ajeita ...




segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Enfim, o fim do ano!

Há muito não tenho o que dizer, não por falta, mas por excesso! 
Tenho sentido tanto e colecionando troféus de quem faz muita burrada em pouco tempo. Mas, estamos vivos para tentar fazer diferente no novo ano que daqui a pouco começa. 
Normalmente, como qualquer outro, mas especial por inciarmos uma nova contagem, que seja mais esse início de ano, bem especial. Acumulamos dias e somamos idade, mas quisera neste novo ano dimunuir os passos errados e as bolas foras! 
Magoei muito nesse ano, fui levada até demais, não me importei com os sentimentos dos outros quando os meus pareciam mais importantese, logo eu, que cuido tanto para não decepcionar ninguém, decepcionei quem muito me amou. Mas de uma coisa não me arrependo, de não ter me arrependido! 
Ganheio demais também, Conheci gente que enche-me de vida e me deixa aliviada em saber que existem seres tão maravilhosos nesse mundo. No mais, para 2013, quero querer muito!
Quero cultivar menos verbos inferiores [nova conjugação livre, sem nenhuma correção, porque eu posso!], quero aprender a ser mais "durona" [isso é conselho de idoso e chegou a minha vez de acatar], quero diminuir os pesos e parar de chorar em vão. Quero perder o medo, não é fácil quando se tem alimentado fantasias demais e caído em cima das cinzas das mesmas, também, demais. 
Quero AMOR!
Quero muito amor em 2013! 
Quero amor quando eu desacreditar que posso, quando eu estiver cansada e com frio. Quero amor quando o celular não tocar mesmo eu tendo esperado 24 horas por essa ligação. 
Quero amor quando a pia estiver lotada de pratos e lembrar da felicidade de ter tido todos almoçado/jantado/brincado juntos naquele dia. 
Quero amor quando eu ter de ficar acordada até as 2h da madrugada corrigindo avaliações, inconformada com elas e sofrendo com os que buscaram acertar. 
Quero amor quando o gás acabar e eu ainda estiver de camisola e atrasada para o trabalho. Quero amor quando a bateria do celular acabar e a minha música predileta da playlist eu deletar sem querer. Quero amor quando meus dedos doerem e um dia, enfim, eu conseguir fazer pestana sem colocar tanta força no braço do meu violão.
Quero amor quando o pôr-do-sol atrasar, quando o nascer deste mesmo se apressar, quando a paz insistir em demorar. Quero amor quando eu adoecer e quero amor quando alguém ao meu lado espirrar. Mas, de tudo, quero muito mais amor para continuar saudável! 
E quero amor, principalmente,  para ter o que escrever.

Que seus dias sejam cheios de amor e que tenhamos muito mais do que duas mil e treze razões para continuar acreditando que vale a pena amar! E que esses carinhos nos acompanhe em dois mil e muito mais :)
Boas festas!

sábado, 20 de outubro de 2012

...


- O que é perda?

- Lembra quando a joaninha pousou no seu ombro? Primeiro você se assustou e ficou com medo de se mexer. Aí ela foi descendo pelo seu braço e foi fazendo uma coceirinha gostosa. Você foi gostando e começou a olhar de perto aquele corpinho vermelho e redondinho, pintado de bolinhas brancas como o algodão onde você plantou seu pé de feijão, com perninhas finas igual ao cabelo da mamãe. Você se divertia com os passeios que ela fazia no seu braço até que você, morrendo de vontade dela ser seu bichinho de estimação, tentou pegá-la. Aí ela voou. Perda é quando a joaninha voa.

- Mas eu ainda sinto a cosquinha que ela fazia.

- Isso já é outra coisa, meu filho. Isso é saudade.

[desconheço a autoria]

sábado, 6 de outubro de 2012

MudAR

... de país, de estado, de cidade, de escola, de casa, de roupa, de sonho .. de sonho? Acontece que eu precisei mudar, começando pelo guarda-roupa. Troquei de lugar, de preferência com o espelho voltado para o grande texto que escrevi nele, assim, ao me ver, logo em mim, estará escrito muito coisa. Por dentro, muita coisa antiga, amiga, saudosa, vencida ... Cartas antigas com promessas bem feitas, mas que foram assim e não são mais. Frascos de perfumes que insistiam em perpetuar o cheiro que o vento do esquecimento já tinha se encarregado de levar. Papel de bombom sem brilho e sem gosto, palitos de pirulitos mordidos, ingresso de show's que não rolaram e entrada do cinema recusada. Cd's, gibis, flores de plástico. Tudo que é papel, rasguei. 
Rasguei-me também.
Por um minuto acreditei que mudar dói. Assim como nostalgia. "Nostos" que significa volta, e "algo" que quer dizer dor. Cortella diz então que "nostalgia ficou sendo a dor da volta, a dor daquilo que já se foi e continua doendo". Queria mesmo que só fosse saudade, mas não, era mesmo nostalgia. E cada rabisco antes rasgado, era lido, questionado, perguntado e insatisfeito lamentando o porquê não ter sido futuro também? Talvez porque o tempo de tê-lo existido era aquele.  Talvez por termos mudado.
Mudamos! 
E que bom que na mudança me veio a coragem de jogar fora o que pesava aqui dentro. 
Um coração cheio de poeira ainda ali me olhava, piedoso de não ser jogado fora, que tanto durou ali trazendo lembranças de um dia ter enchido meu quarto de alegria e meu coração de doce. Ou seria o contrário? Mais contrário seria eu me desfazer de algo bom, como um coração presenteado-me em um tempo oportuno e que eu, menina levada, não tive cuidado como deveria, mas cuidei como quem cuida de um passarinho no céu, eu juro! É pena que nem todo entendem, nem todos alcançam o céu dos passarinhos iguais a mim.
Mudei!
Virei o coração pelo avesso e dei-lhe nova cor. Melhor que jogar fora, não é? Pintei meu coração de branco. Branco de limpo, de junção de cores, de folha clamando escritos novos. 
Pintei meu coração e colei nele o que sempre o fez ser meu, bom e feliz. Pintei meu coração com os sorrisos mais bonitos que enfeitam minha vida como ela é. 
Sem mudar suas caras, preenchi meu coração. Cobri as marcas de feridas saradas, cobri e sarei com aqueles que foram e sempre serão remédios para os tombos que me machucam.
Um novo e bonito coração do jeito que sempre foi!
Nova visão ao acordar,  mas as mesmas companhias do amanhecer. 
Mudei muito.
Mudei muito para voltar a ser.

Família que não se escolhe e família que nos acolhe.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Meu Velho, São Francisco.

Sempre que te vejo, manso, terno, querendo gritar desejos internos -  contemplo!
Quanto te toco e que me tocas devagar [ou com força, mas sem pressa] espero e me deixo, querendo entender o mesmo ar que respiramos. Não entendo!
Tento, nós juntos, ser vocês ou te guardar. Passar as mãos nas tuas feridas e soprar para a dor amenizar, e por pouco me saro.
Ah, menino doce, menino velho se Velho não fosse. É meu, sem reclamar, sem economizar no nascer, sem implorar meu cuidado, sem eu merecer. Mas molha em mim, hoje, assim, lágrimas de medo. 
Medo de não ser mais meu, de não me dar o que ainda não me deu, de me deixar orfã sem teus toques adocicados molhando os cabelos meus.
Eu imploro por você, Francisco, que tem nome de doação.
Eu imploro por você que ecoa no silêncio calmo de quem em prece implora cuidado qual fim de oração. 
Ainda assim, teimoso que é, teima em estar aqui, aguando sempre e tanto seu povo que muito te precisa e te rima em canção, não te queremos em pranto, Velho Chico, mas vivo e pulsando como um grande coração.
Todo dia é dia de cuidar!
04 de outubro, é só pra reforçar!
São Francisco, rogai a Deus por nós.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Encontro per_verso



Presente!
E sente.
Quente, faz-me respirar!
Permeio, vagueio, anseio, reencontrar!
Tão só, está. Tão meu, penar. 
Tão mais que horas, vazias, demoras, desejos a sufocar.
Porquês sem findar.
Finais começar.
Soprar ilusões.
Alimento-me pouco, percebo-me muito, faminta de ar.
Os dois. Num só. Solar.
O toque. O cheiro. O pensar.
Despir-se do medo - rompante, sarcástico.
Perder-se em meio aos sonhos - ousados, mordaz.
O mesmo sim.
Inúteis nãos.
Bons, saciados, entregues ao caso, acaso.
Quente, faz-me sufocar!
Perpasso!
Percalço, tortura em parar.
E sente.
E volta. Sem pena, uma pena, penar!
Não mais ser, sequer estar.
Ao bel-prazer.
Findar.
Ausente!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

... menina!

Menina crescida, que bom que seria, se crescida não fosse.
Menina levada, levando topada, bambeia de medo, que antes não tinha.
Menina dos outros, sente saudade de si. Que dói o vazio, que não controla o sentir, e dança sozinha por aí.
Menina de antes, que tudo sonhava, pedia, queria. Menina, cadê?
Menina que escreve e mal fala. Menina perdida, perdida como uma bala. Com pressa e sem ter onde chegar.
Menina quieta, que muito teimava. Que falta te faz.
Menina tão doce, que há? Amarga menina que antes não, tornou-se!
Menina crescida, que bom que seria, se menina sempre fosse.
Menina chorona, feridas sem cura, que agora não sabe assoprar. Que dói muito mais, mesmo sarando. Sarar também dói?
Menina sozinha, sem colo, sem ombro. Onde estão?
Menina, quem era? Por que deixou de ser? Quem fez isso com você?
Menina calada, com água nos olhos, evita chorar. Guarda a tristeza pra quê? Não sabe o porquê.
Menina crescida. Menina de antes. Quanta saudade te enche?
Menina dos olhos, não pisca com medo. Há cisco em todo lugar, mas ainda assim evita entrar, no vento bailar, deixar-se levar! 
Menina, vem cá!
Menina ...