Um ponto de interrogação e ... silêncio!
Vírgulas para querer antecipar o que não há de ser ponto continuativo.
Porquês exclamados, imperados, inconformados com uma afirmação tão intransitiva que não há etecéteras que impliquem conclusões além do fim.
Sem travessões e/ou aspas disfarçadas, muito menos forçadas a dizer o que não traduz.
Um doce amargo de pretérito imperfeito, confundido com presente inacabado, que tampouco há futuro.
Verbos no infinitivo.
Pessoas no singular.
Não somos mais conjugados a ser. Não estamos mais no mesmo grau de intensidade que existe no encanto da leitura um do outro.
Não há intertextualidade, nem pretexto, ao menos contexto similar.
"há com agá"!
Verbos confusos .. doo, de doer - doo de doar!
Some de sumir - some de somar!
Amor em paradoxo, apatia linear.
Teima de rima, pobre poesia, sem metrificar, melodia muda, ritmo fora de forma, estribilho comum, eu-lírico feliz. Amor inventado sem culpa!
Melhor acabar. Rascunho sem tempo não passa a limpo. Rascunho incompleto não passa tempo, só perde.
E tempo perdido é livro não lido, não publicado, não lembrado.
É passado!
e passado, passa.
É português fal(ec)ido que eu não sei que palavra usar, que eu não sei terminar.
Como a gente, esse texto é. Cheio de fins e não sabe acabar!
Do avesso, um verso se ajeita ...
segunda-feira, 11 de maio de 2015
sábado, 8 de março de 2014
Sem 8 de março
Quantos 8 de março deveremos aproveitar para celebrar o dia de ser aquilo que já somos todos os outros dias?
Quantos 8 de março esperaremos para sairmos às ruas e bravarmos nossos merecimentos de respeito e direitos valorizados?
Quantos 8 de março teremos de viver para compreendermos a força que temos juntas?
Eu gostaria de responder: NENHUM!
Se fossemos verdadeiramente valorizadas, respeitadas, reconhecidas e etecéteras não precisaríamos de uma dia específico ou data simbólica em que amanhã, no amanhecer da aurora, tudo volta ao "normal" de dias de estupro, violência, humilhação, desigualdade e injustiça!
Não quero ter 8 de março se não posso caminhar tranquila sem ser assobiada ou assediada com palavras chulas e cantadas sebosas!
Não quero ter 8 de março se não posso usar meu short curto pois ele atrai a minha culpa de ser desejada e estuprada pelos instintos de seres nojentos que se acham no direito de me usar/abusar/denegrir/humilhar .. porque EU fiz por onde!
Não quero ter 8 de março se não posso usar no meu filho uma camiseta rosa ou na minha filha um boné do X-Men [queuamo!] e ser julgada como incetivo à distorção de princípios morais e naturais dos gêneros.
Não quero 8 de março se minha opção em não ter filhos for sufocada por alofones ensurdecedores de que EU TENHO QUE PROCRIAR! Porque faz parte da minha função nesse mundo cão!
Não quero ter 8 de março se sou vista como submissa se minha opção foi simplesmente cuidar da casa, ter filhos e ser feliz assim!
Não quero ter 8 de março se minha maternidade não for bem vista por eu ser solteira e ter querido ser mãe assim.
Não quero ter 8 de março se meu patrão acha que para merecer acréscimos no meu salário não importa a minha habilidade profissional, basta prová-la na cama com ele!
Não quero ter 8 de março se não tenho direito algum sobre o meu corpo, se não posso ter desejos sexuais, se preciso reprimir meu gozo, meu gemido, meu orgasmo!
Não quero ter 8 de março se minha maneira de me vestir não agrada padrões ou se minhas celulites afetam a visão de quem assiste bostas manipuladoras!
Não quero ter 8 de março com rádios barulhentos e composições fétidas sobre minha conduta e comportamento, sobre meu prazer e querer, sobre o meu gingado submetido a ter de aceitar um lepo lepo medíocre!
Não quero ter 8 de março enquanto as buzinas atrás ou ao lado do meu carro insistirem na certeza do "perigo constante" debochado.
Não quero ter 8 de março e continuar do jeito que estamos! Não quero ter, nem quero ser .. quero continuar em qualquer dia sendo o que sou. Quero parar de utopias e viver! Deixem-me viver!
Deixem-me ser!
_Jamý Dantas, em um 8 de março qualquer!
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Eu encontrei o AMOR!
Depois de um tempo, a frieza cotidiana já fazia morada, insistente morada, nas rotinas comuns de meus dias.
Tanta sobra de não crer, tanto não querer, tanto de mim já faltava, tampouco me importava mais, não queria ter, não pensava em nós, bastava-me, um dia, outro dia, qualquer dia, bastava-me. Amor não era mais, não precisava ser.
Tanta sobra de não crer, tanto não querer, tanto de mim já faltava, tampouco me importava mais, não queria ter, não pensava em nós, bastava-me, um dia, outro dia, qualquer dia, bastava-me. Amor não era mais, não precisava ser.
Você frio, sem dança, sem música, sem pressa .. você convite!
E um sim calado, dito em silêncio e em barulhos de gestos, junta nossa vida, faz bagunça compartilhada, tenta arrumar o que não tinha mais jeito, nem levava jeito para lidar. E de um jeito simples que não se descreve em prosa alguma, a melodia em nós fluía e na dança, um ao outro, conduzia, embalos de ternura, moldados em sorrisos que não quiseram mais "se deixar" ..
Vem comigo, me ensina outra vez, vamos teimar, vamos pousar, vamos ousar - aCRÊditar. Vamos é estrada longa, mas que não faz cansar ...
Eu encontrei o AMOR em cada pé junto que nos leva a algum lugar. Em cada verruga que nasce no dedo que insiste em contar nossas estrelas nada cadentes. Eu encontrei o AMOR descrente, carente, doente, e me ressuscitou! Mesmo assim me ressuscitou, e me ressuscitando foi ressuscitado, porque o AMOR que encontrei vive de nós, e sozinho ele cala. E AMOR calado não dança, não canta, não aflora, não explora, não devora, não melhora - ora!
Eu encontrei o AMOR e quis ficar. Quis por ele querer e quero todos os dias que ele teimar em estar. E que teime sempre, sempre que o hoje nascer, que o hoje amanhecer, que o hoje adormecer e amanhã, um novo hoje, vir a ser!
Eu encontrei o AMOR e vamos nos casar!
:)
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Eu, que não sei falar de amor ...
É tarde agora e eu mal durmo com a vontade do calor ainda perto, a respiração ofegante no calar da madrugada e o encontro dos corpos pra aquecer pouco a pouco o frio atrevido pela janela.
Logo eu!
Eu que não sei falar de amor, deparo-me com essa vontade teimosa de dizer tanta coisa e calar com o peito cheio de ternura .. e entregar inteiro pra você!
Eu, que não sei falar de amor, entrego-me ao querer de muito dizer como é bom os dias de nós dois.
Logo eu, que não sei falar de amor, desnorteio e já não sei para que lado da casa é a melhor saída quando estou só, ela é tão vazia que em qualquer cômodo é perda de mim.
Eu, que não sei falar de amor, ando cheia de querer que você saiba a grandeza que é teu abraço cedinho e o quanto é bom e doce saber que estamos juntos, apesar da ausência estar e ser forte mais tarde, quando o abraço acalmar, quando o dia "morgar", ainda assim ter certeza de que há fortaleza na gente..
Eu, que não sei falar de amor, já não consigo fazer planos de um futuro bom sem que seja nosso. Não há mais eu em mim, depois de você, tenho estado cada dia mais preenchida de nós.
Eu, logo eu, eu que nunca aprendi falar de amor, queria explodir essa vontade de gritar pro mundo como é bom seguir junto, ser mãos dadas, ter cafuné e brincar de eternidade!
Eu, que não sei falar de amor, transbordo-me de vontade de saber dizer tão bem o que sinto, o que quero, o que tenho pra você enquanto me deixar ficar .. espero saber, um dia, poder dizer o tudo que você despertou e coloriu em mim, aqui, nesse coração de pedra que mais parece de gelo, derretendo cada vez que a gente se aquece.
Espero sim!
Espero dizer que além de não saber falar de amor, só pode ser isso que tenho semeado e me saciado com você .. Só pode ser coisa de amor, desse amor sagrado, indizível, buscado e bonito que eu não sei nem nunca aprendi a falar ... Só pode ser, mas eu ainda não sei direito, eu ainda não sei falar de amor!
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Tra_ir
Eu não quis! Definitivamente eu não quis que você fosse meu, desse jeito tão intenso, tão entregue, tão completo, tão meu!
Eu não quis e acabei por me trair.
Eu me trai quando cedi ao seu sorriso e seu convite para sentar mais perto naquela mesa de bar que deixou de ser qualquer mesa, quando a gente se "encostou".
Eu me trai quando deixei a mão tranquila pra você segurar e deu medo de perder a sua sem ao menos tê-la tido por pouco menos que 1 minuto.
Eu me trai quando dancei tão perto e senti seu coração bater perto do meu.
Eu me trai quando beijei seus suspiros ... [suspiro!]
Eu me trai quando não disse não, e meu olhar insistiu em dizer sim ao pedido [in]esperado de namoro.
Eu me trai por ter deixado você entrar no meu quarto, abrir meu guarda-roupa, usar meu hidratante e deitar com o meu travesseiro!
Eu me trai por me despir do medo.
Eu me trai por deixar você conhecer meus centímetros e meus segredos.
Eu me trai no banho demorado que me faz rir de boba lembrando da noite bonita que a gente realizou.
Eu me trai por não ter dado conta do quanto sua eu já sou. Por quanto de nós já existe. Por tudo que não dá pra negar que sinto!
Eu me trai e me traio constantemente. Quando você liga, quando você vem, quando você entra, quando você fica, quando você pede, quando você cede, quando você dorme, quando você ri e, por Deus, como você ri gostoso. E eu me traio por amar isso!
Eu me traio todos os dias com você.
Eu me traio e me deixo trair.
Eu me traio por não ter mais coragem de me perdoar. Eu me traio com você e por você, e eu me traio, muito mais, por nunca ter aprendido a deixar de amar!
sexta-feira, 8 de março de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
A arte de dizer EU TE AMO
Tem gente que fala "eu te amo" na mesma proporção que respira ou que pisca os cílios. Talvez nunca se cansem, talvez...
Durante muito tempo, apesar dos poucos relacionamentos, sempre achei romântico dizer "eu te amo" a pessoa amada. Na hora da despedida, acompanhada de um "parabéns" pela aprovação no curso que tanto quis, ou no dia do aniversário dele e em todos os etecéteras que pareciam exigir de mim um "eu te amo" absurdamente sem abas!
As questões é que o tempo passa, a rotina agride, os dias pesam e quem não tem lá maturidade para entender isso cai no velho desgaste que há em alguns namoros sem encanto. E o pior: muito deles segurados pelo mísero "eu te amo" que a gente insite em dizer mesmo sabendo que ele não tem mais qualquer sabor de intensidade. O medo de acabar logo de uma vez com o relacionamento é perder a esérança de que ainda se pensa existir mesmo verdade nesse texto teatral decorado há séculos. Um "eu te amo" causa medo de não ser ouvido mais, mesmo que não cause o mesmo arrepio de antes!
Eis que de hoje em diante não coleciono mais "euteamosnenhum", e tenho dito! Ou melhor, não tenho .. ou .. ah, sei lá!
Quero dizer que estar com uma pessoa que te faça bem, te valorize, te respeite, seja companheiro, parceiro, amante e amigo, ainda que ele não diga "eu te amo" pra você, não quer dizer que ele não te ama.
Convenhamos que existem outras e muitas, arrisco até dizer melhores, formas de se dizer isso, não acham? Vejam como eu acho: estar com ele ao lado, na beira do rio/mar/lagoa e contemplar a lua ao seu lado e ser beijada com um acompanhado "que bom ter você aqui", é um EU TE AMO!
Ter pesadelo e ser acordada com um abraço no meio da noite e um sussurro que de tão lindo parece mesmo sonho e voz de anjo da guarda dizendo "calma, eu tô bem aqui", é um EU TE AMO de curar!
Ganhar de presente uma poesia escrita naquele guardanapo "xifrin", mas que fica lindo quando está com a letra dele eternizando na gente o que tá escrito como "você é o que eu gosto de ter", é uma dose perfeita de EU TE AMO!
A despedida no telefone com um suspiro de "mesmo assim continuo com saudade, viu?", é muito EU TE AMO junto!
Estar feliz e sorrir isso, cantar isso, abraçar isso, merecer isso, é um EU TE AMO que não exige qualquer voz.
De uma coisa [talvez só eu ache] tenho sabido: "eu te amos" ditos assim não nos prendem, pelo contrário, nos libertam para nos entregarmos com toda a vontade de querer mais!
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Nós, lençóis
As madrugadas deixam de ser vazias quando no meio delas a gente encontra o que tanto nos esperava ... Um par de pernas que passeiam pelas suas, procurando um lugarzinho mais quente para se aquietar e no "entre a gente" dizer tanto o quanto é bom estar ali, pertinho, entre_elas.
E no apagar das luzes, os braços se entendem e os abraços se estendem, ritmados pelo calor da respiração que aquece a nuca da gente e nos faz adormecer com leveza.
Quanta poesia dá para se fazer num suspiro!
Adormecer assim é bom. A gente torce para a noite passar devagar e passa a vagar em meio aos desejos de ser eterno aquele encontro de peles que compartilham o mesmo lençol, pouco importante, pois o que aquece o nosso sonho é muito mais que o pano, detalhe pouco, é a quentura de nós dois juntos!
E quando há chuva, ah... quando há chuva, parece que mundos de borboletas dentro da gente fazem festa. O outro invade o sonho, cabe no travesseiro, surpreende com um cheiro e nos convida à calmaria de querer dormir e torcer para que não acordemos antes de nos preenchermos de felicidade.
Quando o amor quiser entrar, faça questão de abrir a porta.
Mas se ele quiser dormir com você ... bem ... vai ser trabalhoso ter de sair depois!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Enfim, o fim do ano!
Há muito não tenho o que dizer, não por falta, mas por excesso!
Tenho sentido tanto e colecionando troféus de quem faz muita burrada em pouco tempo. Mas, estamos vivos para tentar fazer diferente no novo ano que daqui a pouco começa.
Normalmente, como qualquer outro, mas especial por inciarmos uma nova contagem, que seja mais esse início de ano, bem especial. Acumulamos dias e somamos idade, mas quisera neste novo ano dimunuir os passos errados e as bolas foras!
Magoei muito nesse ano, fui levada até demais, não me importei com os sentimentos dos outros quando os meus pareciam mais importantese, logo eu, que cuido tanto para não decepcionar ninguém, decepcionei quem muito me amou. Mas de uma coisa não me arrependo, de não ter me arrependido!
Ganheio demais também, Conheci gente que enche-me de vida e me deixa aliviada em saber que existem seres tão maravilhosos nesse mundo. No mais, para 2013, quero querer muito!
Quero cultivar menos verbos inferiores [nova conjugação livre, sem nenhuma correção, porque eu posso!], quero aprender a ser mais "durona" [isso é conselho de idoso e chegou a minha vez de acatar], quero diminuir os pesos e parar de chorar em vão. Quero perder o medo, não é fácil quando se tem alimentado fantasias demais e caído em cima das cinzas das mesmas, também, demais.
Quero AMOR!
Quero muito amor em 2013!
Quero amor quando eu desacreditar que posso, quando eu estiver cansada e com frio. Quero amor quando o celular não tocar mesmo eu tendo esperado 24 horas por essa ligação.
Quero amor quando a pia estiver lotada de pratos e lembrar da felicidade de ter tido todos almoçado/jantado/brincado juntos naquele dia.
Quero amor quando eu ter de ficar acordada até as 2h da madrugada corrigindo avaliações, inconformada com elas e sofrendo com os que buscaram acertar.
Quero amor quando o gás acabar e eu ainda estiver de camisola e atrasada para o trabalho. Quero amor quando a bateria do celular acabar e a minha música predileta da playlist eu deletar sem querer. Quero amor quando meus dedos doerem e um dia, enfim, eu conseguir fazer pestana sem colocar tanta força no braço do meu violão.
Quero amor quando o pôr-do-sol atrasar, quando o nascer deste mesmo se apressar, quando a paz insistir em demorar. Quero amor quando eu adoecer e quero amor quando alguém ao meu lado espirrar. Mas, de tudo, quero muito mais amor para continuar saudável!
E quero amor, principalmente, para ter o que escrever.
Que seus dias sejam cheios de amor e que tenhamos muito mais do que duas mil e treze razões para continuar acreditando que vale a pena amar! E que esses carinhos nos acompanhe em dois mil e muito mais :)
Boas festas!
sábado, 20 de outubro de 2012
...
- O que é perda?
- Lembra quando a joaninha pousou no seu ombro? Primeiro você se assustou e ficou com medo de se mexer. Aí ela foi descendo pelo seu braço e foi fazendo uma coceirinha gostosa. Você foi gostando e começou a olhar de perto aquele corpinho vermelho e redondinho, pintado de bolinhas brancas como o algodão onde você plantou seu pé de feijão, com perninhas finas igual ao cabelo da mamãe. Você se divertia com os passeios que ela fazia no seu braço até que você, morrendo de vontade dela ser seu bichinho de estimação, tentou pegá-la. Aí ela voou. Perda é quando a joaninha voa.
- Mas eu ainda sinto a cosquinha que ela fazia.
- Isso já é outra coisa, meu filho. Isso é saudade.
- Lembra quando a joaninha pousou no seu ombro? Primeiro você se assustou e ficou com medo de se mexer. Aí ela foi descendo pelo seu braço e foi fazendo uma coceirinha gostosa. Você foi gostando e começou a olhar de perto aquele corpinho vermelho e redondinho, pintado de bolinhas brancas como o algodão onde você plantou seu pé de feijão, com perninhas finas igual ao cabelo da mamãe. Você se divertia com os passeios que ela fazia no seu braço até que você, morrendo de vontade dela ser seu bichinho de estimação, tentou pegá-la. Aí ela voou. Perda é quando a joaninha voa.
- Mas eu ainda sinto a cosquinha que ela fazia.
- Isso já é outra coisa, meu filho. Isso é saudade.
[desconheço a autoria]
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
MudAR
... de país, de estado, de cidade, de escola, de casa, de roupa, de sonho .. de sonho? Acontece que eu precisei mudar, começando pelo guarda-roupa. Troquei de lugar, de preferência com o espelho voltado para o grande texto que escrevi nele, assim, ao me ver, logo em mim, estará escrito muito coisa. Por dentro, muita coisa antiga, amiga, saudosa, vencida ... Cartas antigas com promessas bem feitas, mas que foram assim e não são mais. Frascos de perfumes que insistiam em perpetuar o cheiro que o vento do esquecimento já tinha se encarregado de levar. Papel de bombom sem brilho e sem gosto, palitos de pirulitos mordidos, ingresso de show's que não rolaram e entrada do cinema recusada. Cd's, gibis, flores de plástico. Tudo que é papel, rasguei.
Rasguei-me também.
Por um minuto acreditei que mudar dói. Assim como nostalgia. "Nostos" que significa volta, e "algo" que quer dizer dor. Cortella diz então que "nostalgia ficou sendo a dor da volta, a dor daquilo que já se foi e continua doendo". Queria mesmo que só fosse saudade, mas não, era mesmo nostalgia. E cada rabisco antes rasgado, era lido, questionado, perguntado e insatisfeito lamentando o porquê não ter sido futuro também? Talvez porque o tempo de tê-lo existido era aquele. Talvez por termos mudado.
Mudamos!
E que bom que na mudança me veio a coragem de jogar fora o que pesava aqui dentro.
Um coração cheio de poeira ainda ali me olhava, piedoso de não ser jogado fora, que tanto durou ali trazendo lembranças de um dia ter enchido meu quarto de alegria e meu coração de doce. Ou seria o contrário? Mais contrário seria eu me desfazer de algo bom, como um coração presenteado-me em um tempo oportuno e que eu, menina levada, não tive cuidado como deveria, mas cuidei como quem cuida de um passarinho no céu, eu juro! É pena que nem todo entendem, nem todos alcançam o céu dos passarinhos iguais a mim.
Mudei!
Virei o coração pelo avesso e dei-lhe nova cor. Melhor que jogar fora, não é? Pintei meu coração de branco. Branco de limpo, de junção de cores, de folha clamando escritos novos.
Pintei meu coração e colei nele o que sempre o fez ser meu, bom e feliz. Pintei meu coração com os sorrisos mais bonitos que enfeitam minha vida como ela é.
Sem mudar suas caras, preenchi meu coração. Cobri as marcas de feridas saradas, cobri e sarei com aqueles que foram e sempre serão remédios para os tombos que me machucam.
Um novo e bonito coração do jeito que sempre foi!
Nova visão ao acordar, mas as mesmas companhias do amanhecer.
Mudei muito.
Mudei muito para voltar a ser.
| Família que não se escolhe e família que nos acolhe. |
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Meu Velho, São Francisco.
Sempre que te vejo, manso, terno, querendo gritar desejos internos - contemplo!
Quanto te toco e que me tocas devagar [ou com força, mas sem pressa] espero e me deixo, querendo entender o mesmo ar que respiramos. Não entendo!
Tento, nós juntos, ser vocês ou te guardar. Passar as mãos nas tuas feridas e soprar para a dor amenizar, e por pouco me saro.
Ah, menino doce, menino velho se Velho não fosse. É meu, sem reclamar, sem economizar no nascer, sem implorar meu cuidado, sem eu merecer. Mas molha em mim, hoje, assim, lágrimas de medo.
Medo de não ser mais meu, de não me dar o que ainda não me deu, de me deixar orfã sem teus toques adocicados molhando os cabelos meus.
Eu imploro por você, Francisco, que tem nome de doação.
04 de outubro, é só pra reforçar!
Quanto te toco e que me tocas devagar [ou com força, mas sem pressa] espero e me deixo, querendo entender o mesmo ar que respiramos. Não entendo!
Tento, nós juntos, ser vocês ou te guardar. Passar as mãos nas tuas feridas e soprar para a dor amenizar, e por pouco me saro.
Ah, menino doce, menino velho se Velho não fosse. É meu, sem reclamar, sem economizar no nascer, sem implorar meu cuidado, sem eu merecer. Mas molha em mim, hoje, assim, lágrimas de medo.
Medo de não ser mais meu, de não me dar o que ainda não me deu, de me deixar orfã sem teus toques adocicados molhando os cabelos meus.
Eu imploro por você, Francisco, que tem nome de doação.
Eu imploro por você que ecoa no silêncio calmo de quem em prece implora cuidado qual fim de oração.
Ainda assim, teimoso que é, teima em estar aqui, aguando sempre e tanto seu povo que muito te precisa e te rima em canção, não te queremos em pranto, Velho Chico, mas vivo e pulsando como um grande coração.
Todo dia é dia de cuidar!04 de outubro, é só pra reforçar!
São Francisco, rogai a Deus por nós.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Encontro per_verso
E sente.
Quente, faz-me respirar!
Permeio, vagueio,
anseio, reencontrar!
Tão só, está. Tão
meu, penar.
Tão mais que horas,
vazias, demoras, desejos a sufocar.
Porquês sem findar.
Finais começar.
Soprar ilusões.
Alimento-me pouco,
percebo-me muito, faminta de ar.
Os dois. Num só.
Solar.
O toque. O cheiro.
O pensar.
Despir-se do medo -
rompante, sarcástico.
Perder-se em meio
aos sonhos - ousados, mordaz.
O mesmo sim.
Inúteis nãos.
Bons, saciados,
entregues ao caso, acaso.
Quente, faz-me
sufocar!
Perpasso!
Percalço, tortura
em parar.
E sente.
E volta. Sem pena,
uma pena, penar!
Não mais ser,
sequer estar.
Ao bel-prazer.
Findar.
Ausente!
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
... menina!
Menina crescida, que bom que seria, se crescida não fosse.
Menina levada, levando topada, bambeia de medo, que antes não tinha.
Menina que escreve e mal fala. Menina perdida, perdida como uma bala. Com pressa e sem ter onde chegar.
Menina quieta, que muito teimava. Que falta te faz.
Menina tão doce, que há? Amarga menina que antes não, tornou-se!
Menina crescida, que bom que seria, se menina sempre fosse.
Menina chorona, feridas sem cura, que agora não sabe assoprar. Que dói muito mais, mesmo sarando. Sarar também dói?
Menina sozinha, sem colo, sem ombro. Onde estão?
Menina, quem era? Por que deixou de ser? Quem fez isso com você?
Menina calada, com água nos olhos, evita chorar. Guarda a tristeza pra quê? Não sabe o porquê.
Menina crescida. Menina de antes. Quanta saudade te enche?
Menina dos olhos, não pisca com medo. Há cisco em todo lugar, mas ainda assim evita entrar, no vento bailar, deixar-se levar!
Menina, vem cá!
Menina ...
Menina levada, levando topada, bambeia de medo, que antes não tinha.
Menina dos outros, sente saudade de si. Que dói o vazio, que não controla o sentir, e dança sozinha por aí.
Menina de antes, que tudo sonhava, pedia, queria. Menina, cadê?Menina que escreve e mal fala. Menina perdida, perdida como uma bala. Com pressa e sem ter onde chegar.
Menina quieta, que muito teimava. Que falta te faz.
Menina tão doce, que há? Amarga menina que antes não, tornou-se!
Menina crescida, que bom que seria, se menina sempre fosse.
Menina chorona, feridas sem cura, que agora não sabe assoprar. Que dói muito mais, mesmo sarando. Sarar também dói?
Menina sozinha, sem colo, sem ombro. Onde estão?
Menina, quem era? Por que deixou de ser? Quem fez isso com você?
Menina calada, com água nos olhos, evita chorar. Guarda a tristeza pra quê? Não sabe o porquê.
Menina crescida. Menina de antes. Quanta saudade te enche?
Menina dos olhos, não pisca com medo. Há cisco em todo lugar, mas ainda assim evita entrar, no vento bailar, deixar-se levar!
Menina, vem cá!
Menina ...
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
"Dos filhos deste solo, és Mãe gentil!"
![]() | |
| Fonte: LizandraMartins/Facebook |
Que Pátria és tu, Brasil?
Silêncio, calem-se diante de suas indignações, povo sem vez, voz em clamor. Façam silêncio, a Serpente pode acordar!
Entraram aqui, no lar que sempre foi nosso, e nos prenderam do lado oposto dos encontros perfeitos de nasceres e pores de sol.
Que barulho de injustiça palpita no meu peito.
Mas é preciso calar. A Serpente pode acordar!
Das árvores frondosas o podar bem mal feito. A terra, nossa terra, que de leve nos sentia, agora é pisada com botas fortes e riscadas pelas grandes armas do poder que nos defende! Defende?
Defender-nos de quê?
Defender-nos de um espaço que acolhe famílias, casais, casas, violões e margaridas, olhos, sentidos, vestidos, amigos e meninices que se deixam cair nas águas do nosso, NOSSO, tão acolhedor Velho Chico?
Defender-nos do brilho inexplicável da luz que nasce, ao pé da cruz, e clareia a vida de quem dorme pouco, porque precisa ter tempo para lutar por algo melhor?
Defender-nos do espetáculo divino que é o até breve ao sol, e ver a lua querer ser bailarina coroada e refletida no rio?
Defender-nos de ter para onde ir, onde ficar, onde deixar-se ir pra qualquer lugar sem sair daqui?
Defender-nos do que tão bem nos faz?
Não, gritos! Aqui em mim façam silêncio. É preciso!
A Serpente agora pode acordar!
Que será de mim longe do que me faz bem?
Que será de mim ver o que é meu sendo tomado?
Que será de mim que não tenho se quer o direito de querer?!
Que será de mim que não sei mais nadar... calar?
Uma pausa para a canção de ninar. Ilha bela, do Fogo que aquece nossa alma, ilha calma, ilha tomada. Ilha indignada!
Façam silêncio revolucionários! Digam aos seus filhos que liberdade é viver preso! Ensinem às suas crianças que o natural não nos pertence!
Calem seus sonhos!
Despertem seus comodismos!
Desapeguem-se do que é belo e não existe!
A Serpente ... a serpente pode acordar !
![]() | |
| FotoFonte: Flávio Henrique/facebook |
*Às 1:00 desta manhã de 03 de setembro o exército ocupou a Ilha do Fogo, em nossas Juazeiro/Petrolina, proibindo assim, qualquer acesso à ela. A luta não terminou. Mas os olhos não puderam deixar de marejar e demonstrar a tristeza!
terça-feira, 21 de agosto de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
De todos, o único.
De todas as trilhas que me impulseram a seguir - na estrada mais longa foi onde fiz-me perder; Cá estou caminhando e encontrando no meio do caminho motivos bons para continuar caminhando mesmo que por muito tempo.
De todas as cadeiras que me ofereceram pr'um descanso - aquela azul, de balanço, na varanda da casa velha, ainda hoje guarda a cantiga que faz ninar os meus suspiros.
De todos os drink's oferecidos em mesas de luxo e estendidos à minha sede - o café quente com cheiro doce sempre será o motivo principal do meu salivar.
De todas as músicas inéditas apresentadas nos show's mais iluminados e lotados, ou autografados de presente aos meus ouvidos - a cantiga na radiola que papai ainda sente ciúmes, de LP's, nunca sairá de moda dentro de mim e a melodia será sempre a que embalará as emoções mais verdadeiras e precisas aqui dentro.
De todos os livros que me prenderam a atenção em dias longos - o primeiro gibi que mamãe me trouxe pintado a lápis de cor ainda será o primeiro na fileira da estante como primeira opção de leitura para o meu coração.
De todas as estrelas que apontei o indicador - aquela que meus olhos não conseguiram alcançar é a que mais ilumina as minhas noites escuras.
De todas as tranças bonitas que enfeitaram meu cabelo - o elástico quebrado será sempre a melhor forma de liberdade para eles e para mim.
De todas as palavras confortáveis e bonitas ouvidas nos dias mais cinzas - aquele abraço jamais será substituído por qualquer mundo que teime em ser tão acolhedor.
De todos os textos digitados nas manhãs de compromissos corridos - os rabiscos das madrugadas [muitas vezes rasgados e não lidos por outrem] sempre falarão muito mais sobre mim.
De todas as missas frequentadas, hóstias tomadas e pecados assumidos - aquela oração no meu quarto em que os olhos se fecham e eu não preciso dizer nada, é onde digo muito e a que mais me alivia a alma. É onde entendo tanto sobre o amor...
De todos os presentes caros que ainda recebo quando um dia é único para eu ser lembrada por muitos - o sorriso de um menino caramelo, sem hora e sem demora, é o que nunca me dará forma de pagar a riqueza que me enche.
De todas as histórias já ouvidas sobre "para sempres" e "felicidades" - nenhuma me dirá tanto quanto a que escrevemos juntos o "sempre" que vivemos naquela noite de verdades.
De todas as juras que pesam nas minhas mãos - aquela eterna de ser cada dia uma pessoa melhor para mim, não descruzarão meus dedos tão cedo.
De todas as viagens feitas por aí, mundo a fora - os momentos intensos de perder-se dentro de mim sempre será a melhor de todas.
De todas as formas que tenho de dizer sobre mim, jamais direi o que sou pois nem isso sei ao certo, e descrever em poucas linhas é finito demais quando se tem muito infinito entre_elas.
De tudo mais que poderei vir a ser, serei, e sempre assim - simples assim, eu não sei muito bem o que eu sou, mas de algum modo, bem meu, eu sei de verdade quem eu não sou!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
#Diálogos intermináveis ...
- Êita, que já já amanhece, né?
- É mer'mo. Tu sente medo, é?
- De quê?
- De que amanheça?
- Eu não!
- ...
- Eu sinto é saudade!
- Pois então fique, mesmo que amanheça.
- Mas tu sabe que eu não posso ficar. Pelo menos não agora. Não até amanhecer de outro jeito.
- Vixe, que lá vem tu com essas filosofias cheias de coisas que eu não entendo.
- Que filosofias, o quê? Deixe de bestagem. Tu sabe muito bem do que eu tô falando.
- ...
- Sabe, num é?
- Só sei se for de nós.
- Pois é. Sabe ... eu acho que esse mundo é mesmo redondo, viu?
- Ôxe, hahaha. E tu ainda duvidava que era, era menina?
- Sim, menino! Mas no sentido de dizer que ... ah, redondo assim, cheio de voltas. haha, páre de me olhar com essa cara de quem não sabe ler japonês, hômi!
- Mas eu num sei ler japonês mer'mo não, hahaha.
- Pra mim quem sabe ler silêncio e olhar .. então sabe ler qualquer coisa!
- ...
- Sim, deixe eu dizer do mundo, escute ... que ele dá é voltas, num sabe? É como se existisse um ponto de partida, de onde a gente sai, de onde a gente parte, é lógico, se é de partida, né? Pois pronto! A gente sai e vai em busca de um monte de coisa, de coisas que nos enriqueça, que nos fortaleça, que nos favoresça, de mêimundo de coisa pra encher essa nossa vidinha besta e dar sentido há mais mêimundo de coisas que no fim a gente nem sabe o que é, e pra que é que a gente quer. Mas, daí, assim, como que se tivesse dado essa volta toda, sabe? A gente volta pro ponto de onde partiu, aqui, óh, pro mer'mim. O ponto que era de partida agora é o de chegada, e aí quando a gente chega aqui, no ponto de chegada que era o ponto de partida, a gente percebe que tudo que a gente foi buscar dando essa volta toda por aí, tudo que a gente foi atrás, e que achava ser aquilo o essencial pra vida da gente ... aquilo tudo ... tava sempre era aqui, bem aqui, bem nesse lugar de onde a gente nunca devia ter saído.
- ...
- E tu tava lá quando eu saí, néra? E parece que é quando a gente volta que percebe o que é mer'mo de valor que a gente tem na nossa vida. Deixa pra lá o pai, a mãe, o lençol velho feito dos retalhos dos panos véi de vovó, o pratinho de alumínio que a gente só comia todo se fosse nele, porque, sei lá, tem um gosto diferente e bem melhor. Deixa os grampos de cabelo, esquece a chinela vermelha e deixa pra lá um possível amor de quem nem sabe direito o que danado que é isso que faz a gente tremer as pernas só de ouvir falar o nome.
- ...
- E é a aí que a gente volta e vê, mer'mo sem essas coisas tarem do jeito que a gente deixou, mas algumas ainda estão, e são essas que tão aqui, que mostram pra gente. É como se fosse uma segunda chance, e eu acho que quero mer'mo acreditar que seja, num sabe? Quero acreditar que é outra chance que a vida nos dá, de voltar e encontrar ainda aqui, mer'mo tendo dado voltas, e mudado um pouco a cor, mas são essas, as coisas importantes da nossa vida. Essas que ainda estão aqui, como se fosse nos esperando. Parece alívio, né?
- ...
- Pare de me olhar com cara de quem nunca viu estrela cadente, vá!
- Bonita assim, e rindo? Desconfio muito!
- ôxe! ... Tu também deu uma voltona, num foi? Tá aí com essa mão apoiando o queixo, mas deve ser mer'mo é pensando nas voltas que tu deu... Mas, sabe? Ainda bem que tu voltou pro teu ponto de partida, e que por sorte minha é o mer'mo que o meu. Bem que tu podia se atrapalhar nessas voltas e nem ter voltado, hein? Ave, que nem gosto de pensar, chega esfria um pouquinho aqui, sabe? Já pensou? Tu ter ficado por lá? Nem sei ... Talvez agora tu nem estivesse aqui, e eu nem tinha te encontrado, porque tu tinha ido pr'outro lado, pra o ponto de partida de outra pessoa. Mas não... Tu tá aqui! Isso deve querer dizer alguma coisa, tu não acha?
- ...
- Acho que a gente se encontrou pra valer agora! E acho também que tem muita coisa que a gente vai ter que ajeitar por conta dessas andanças que demos na vida, né? Num pode deixar tudo assim, largado, abandonar de vez. Tem que ter cuidado, não acha?
- ...
- ...
- Fica!
- Pensei que tivesse ficado sem voz. Falei tanto que até esqueci que tu também precisava dizer alguma coisa.
- Quero que fique.
- Mas eu tô aqui!
- E se a gente se perder dinovo?
- Tu acha que vamos? Se bem que eu já perdi tanto nessa vida que acho que já fiz foi aprender a perder ..
- Num sei. Sabe lá se tu vai ter tempo de esperar...
-...
-...
- E acredito que não vai ser muito difícil também aprender a esperar... E deixe eu lhe dizer mais ... Já andei só por essas voltas aí que dei, sabe? Pense que já dancei com a solidão em boates sem fim, já fui até amiga dela, que tava mer'mo era começando a me fazer bem. Ou pensar que tava. Mas, agora aqui, deitada no teu colo, te olhando e te sentindo, sabendo que teu cheiro ainda é o mer'mim, que se tu tivesse no escuro eu te encontrava só pelo cheiro, e ainda que o mundo usasse o mer'mo perfume que tu, eu ia te achar, porque o teu é diferente, porque o teu é natural, é teu, e sendo teu, é único. E sabe mais? Como disse, já pensei até que podia viver sozinha, mas depois de hoje ... tá vendo? Óh! Os olhos chega enche d'água ... eu não quero mais viver sozinha não ... Depois de hoje, só de pensar em dançar sozinha, em dormir sozinha, em acordar sozinha, mesmo a gente sabendo que todo mundo nessa vida nasce e morre só, mer'mo assim .. pensar em ficar sozinha começa a me doer ...
- ...
- E eu não quero mais que doa. E nem quero que doa em você também. Quem faz bem a gente, merece ser feliz em dobro, num é?
- ... Não deixa amanhecer não ...
- É só um pouquinho! Só mais um pouquinho e logo a gente não vai mais ter medo que amanheça ...
- Eu não tenho medo!
- Tem não?
- Eu tenho é saudade.
- ...
- Fica!
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